Estudo revela erro nos cálculos dos níveis do mar e expõe zonas costeiras a riscos maiores
A pesquisa revela que o nível do mar está subestimado, aumentando o risco de inundações costeiras.
Um dos principais temores relacionados ao aquecimento global é a elevação do nível do mar, que pode resultar em inundações em áreas costeiras ao redor do mundo, devido ao derretimento das calotas polares. Recentemente, novos estudos indicam que a maioria das pesquisas científicas sobre esse risco se baseou em uma premissa equivocada.
O erro não está nas medições do derretimento do gelo ou nas emissões de CO₂, mas sim na forma como foi determinado o ponto de referência, conhecido como “ponto zero”. Essa falha na medição tem implicações significativas para as projeções climáticas.
Um estudo recente destacou que os níveis do mar nas regiões costeiras estão, em média, cerca de 30 centímetros mais altos do que o que os modelos de risco haviam previsto. Em algumas localizações, essa diferença pode ultrapassar um metro, o que altera drasticamente as previsões sobre inundações.
Para entender a natureza do problema, é importante analisar como os mapas de risco de inundações são elaborados. Quando os cientistas tentam prever quais áreas podem ser submersas, eles precisam de uma linha de base. Contudo, essa linha de base foi estabelecida de maneira inadequada.
A pesquisa revisou 385 estudos revisados por pares, publicados entre 2009 e 2025, e encontrou um padrão alarmante: mais de 90% desses estudos utilizaram “geóides teóricos” para definir a linha de base. Um geoide é um modelo idealizado da gravidade da Terra que assume um oceano perfeitamente calmo, o que não corresponde à realidade.
Na prática, o oceano é influenciado por diversos fatores, como ventos, correntes oceânicas, temperatura e salinidade, que fazem com que a água se acumule de maneira desigual em diferentes costas. Quando os pesquisadores compararam os modelos teóricos com dados reais obtidos por satélites e marégrafos, a discrepância se tornou evidente.
Globalmente, ao corrigir esses erros, a subestimação do nível do mar costeiro varia entre 24 e 30 centímetros. Embora isso possa parecer uma diferença pequena, na topografia costeira, essa medida pode ser a diferença entre uma área segura e uma cidade submersa.
O aspecto mais preocupante é a variação geográfica desse erro. Enquanto algumas áreas no Hemisfério Norte apresentam desvios menores, no Hemisfério Sul, o nível do mar pode ser até um metro ou mais acima do que o previsto, com locais extremos chegando a diferenças de até 7,6 metros.
Com a aplicação dos novos modelos, pesquisadores descobriram que, com uma elevação projetada de 1 metro no nível do mar, a área costeira em risco de inundação é 37% maior do que se pensava anteriormente, colocando mais 132 milhões de pessoas em perigo.
Apesar da impressão de que a taxa de elevação do nível do mar está aumentando, a realidade é que a taxa permanece constante. O que realmente mudou foi a base de referência, que estava subestimada, criando uma falsa sensação de segurança.
Agora, estamos mais próximos de limiares críticos de inundação do que imaginávamos, e a janela de oportunidade para implementar medidas de proteção, como diques e realocação de populações, foi drasticamente reduzida.
Para corrigir essa falha histórica, a equipe de pesquisa não apenas identificou o erro, mas também processou os dados corrigidos usando supercomputadores e os disponibilizou publicamente. O objetivo é que governos e climatologistas possam recalcular seus mapas de risco costeiro com base na superfície real do mar, em vez de modelos teóricos.
