Planilha revela pagamentos de US$ 10,6 milhões da Vorcaro para a Dark Horse
Novos documentos revelam detalhes sobre financiamento do filme Dark Horse, ligado à campanha de Bolsonaro.
Recentemente, novos documentos foram divulgados, revelando informações sobre os repasses financeiros relacionados à produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
Os registros mostram que um dos fundos de investimento associados ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro recebeu uma transferência financeira, cujo valor e data coincidem com o cronograma apresentado na documentação. Essa informação levanta questões sobre a origem e o uso dos recursos destinados ao filme.
Um cronograma detalha pagamentos previstos de US$ 23,9 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, além de repasses já realizados que totalizam US$ 10,6 milhões entre fevereiro e maio de 2025. Esse planejamento financeiro foi compartilhado entre os operadores do Banco Master, evidenciando a estrutura de financiamento da obra.
Mensagens trocadas em agosto de 2025 entre Thiago Miranda, suposto intermediário da família Bolsonaro, e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelam que havia parcelas em atraso e uma nova prestação prestes a vencer. Vorcaro, em resposta, indicou que duas parcelas seriam quitadas na segunda-feira seguinte.
A situação se complica com a divulgação de um comprovante de transferência internacional de US$ 2 milhões, realizada em 13 de fevereiro de 2025, para o Havengate Development Fund LP, que é controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A operação tem a Entre Investimentos e Participações como remetente.
Em resposta às acusações, o Grupo Entre afirmou que suas operações seguem as normas do setor financeiro e se colocou à disposição das autoridades para esclarecimentos sobre os repasses realizados.
A família Bolsonaro enfrenta uma crise de imagem desde o início de maio, quando surgiram os primeiros vazamentos sobre o envolvimento de Vorcaro no financiamento do filme, que foi gravado nos Estados Unidos. Um áudio de Flávio Bolsonaro, enviado ao banqueiro em novembro de 2025, também foi revelado, onde ele solicita recursos para a produção.
Flávio se defendeu, alegando que se tratava de um patrocínio privado em um momento em que não havia suspeitas sobre irregularidades no Banco Master. Contudo, novos documentos indicam que Eduardo Bolsonaro, que reside nos EUA desde fevereiro de 2025, poderia estar envolvido na gestão financeira da produção, orientando sobre como transferir recursos sem levantar suspeitas.
A investigação da Polícia Federal examina a possibilidade de que o patrocínio ao filme tenha sido utilizado para financiar a estadia de Eduardo nos Estados Unidos, onde ele teria articulado sanções contra autoridades brasileiras.
Os vazamentos têm impactado negativamente a imagem de Flávio Bolsonaro, que apresenta queda nas pesquisas eleitorais. A mais recente pesquisa indica que ele enfrentaria uma derrota no segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva, com 45% das intenções de voto contra 40% do pré-candidato do PL, sinalizando uma mudança significativa no cenário político.
