Trump classifica 14 grupos criminosos da América Latina como terroristas em pouco mais de um ano
Estados Unidos classificam PCC e CV como organizações terroristas internacionais.
As facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) foram oficialmente designadas como grupos terroristas internacionais pelo governo dos Estados Unidos. A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (28) e entrará em vigor em 5 de junho.
A classificação gera um novo atrito nas relações entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil, especialmente em um momento delicado, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia realizado uma visita a Washington recentemente. A medida foi tomada sem o consentimento do governo brasileiro e ocorreu após um pedido do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência.
O governo dos EUA já havia sinalizado anteriormente que considerava o PCC e o CV como ameaças significativas à segurança regional. A designação se alinha a uma estratégia mais ampla que inclui a classificação de outros grupos criminosos em países como México e Colômbia, refletindo uma preocupação com o narcotráfico e suas conexões internacionais.
Apenas alguns países da região, como Equador e El Salvador, possuem governos que mantêm alinhamento ideológico com a administração Trump, enquanto outros, como Brasil, apresentam divergências políticas. Isso levanta questões sobre a colaboração e a eficácia das ações conjuntas contra o crime organizado.
No comunicado, o secretário de Estado, Marco Rubio, destacou que as facções possuem influência que ultrapassa as fronteiras brasileiras, afetando também os Estados Unidos. A administração Trump se comprometeu a utilizar todos os recursos disponíveis para proteger a segurança nacional e combater o narcotráfico.
A designação permitirá o congelamento de ativos relacionados ao narcotráfico, além de facilitar investigações e a troca de informações de inteligência entre os países. Também é possível que sejam aplicadas sanções financeiras e restrições de vistos a indivíduos associados às facções.
Embora a designação não autorize ataques militares diretos, a história mostra que grupos considerados terroristas podem ser alvos de ações militares fora do território americano. Recentemente, a Força Sul dos EUA atacou embarcações ligadas a cartéis no Caribe, levantando preocupações sobre possíveis operações em território brasileiro.
A administração Trump já havia sido criticada por não buscar autorização do Congresso ou da ONU para ações militares. Essa situação gera apreensão no governo brasileiro, que teme que a designação leve a sanções financeiras que possam impactar o sistema financeiro nacional.
Apesar das tensões, a gestão Trump já estudava a classificação do PCC e CV há meses, mantendo diálogos com o Brasil sobre a intenção de implementar essa medida. Flávio Bolsonaro, que se manifestou a favor da designação, argumentou que a inclusão do Brasil na coalizão Escudo das Américas poderia fortalecer a luta contra o narcotráfico.
O governo brasileiro, por outro lado, busca alternativas que evitem a classificação das facções como terroristas, enfatizando a necessidade de cooperação bilateral para enfrentar o crime organizado. A decisão do Departamento de Estado, no entanto, não depende da aprovação do Brasil.
