Timerman busca levar caso de stalking a Tanure ao STF e relaciona condenação à Compliance Zero

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Conflito judicial entre Vladimir Timerman e Nelson Tanure avança com embargos de declaração.

A disputa entre o gestor da Esh Capital, Vladimir Timerman, e o empresário Nelson Tanure ganhou um novo capítulo na Justiça.

Timerman foi condenado por perseguição, conhecida como stalking, após uma série de publicações nas redes sociais contra Tanure. Recentemente, ele apresentou embargos de declaração ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) solicitando a revisão da decisão, alegando que o caso está interligado a investigações mais amplas no mercado financeiro, incluindo a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.

O conflito entre os dois começou há anos, em meio a disputas societárias envolvendo empresas como Gafisa e Alliança Saúde. Timerman, que representa fundos minoritários da Esh Capital, acusou Tanure de irregularidades em operações corporativas, levando diversas denúncias à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Justiça Federal. Tanure, por sua vez, alega ser alvo de uma campanha sistemática de ataques pessoais promovida por Timerman.

Na semana passada, a 10ª Câmara de Direito Criminal do TJSP manteve a condenação de Timerman pelo crime de stalking. Os desembargadores entenderam que suas manifestações ultrapassaram a mera crítica empresarial, configurando uma perseguição reiterada contra o empresário.

Nos embargos apresentados, Timerman argumenta que o acórdão não analisou pontos centrais de sua defesa, especialmente no que diz respeito à Operação Compliance Zero. Os advogados do gestor afirmam que parte dos fatos discutidos no processo está relacionada a investigações que chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo apurações sobre o Banco Master e seus antigos relacionamentos financeiros. A defesa destaca que o STF já concentra procedimentos relacionados à operação e que o ministro relator deve avaliar se o caso deve ser remetido à Corte.

Outro ponto levantado refere-se às provas utilizadas na condenação. Os advogados de Timerman afirmam que mensagens atribuídas a ele foram consideradas inadmissíveis em primeira instância devido a problemas na cadeia de custódia. Embora essas mensagens tenham sido formalmente excluídas do processo, seu conteúdo teria sido reintroduzido no julgamento através de depoimentos que mencionaram as conversas.

A defesa também contesta a conclusão do tribunal de que as publicações de Timerman causaram prejuízos à Gafisa e à Alliança Saúde. Segundo ele, o acórdão não demonstra quais danos efetivamente ocorreram nem estabelece uma relação direta entre as postagens e os impactos sofridos pelas empresas.

Adicionalmente, a defesa questiona um trecho específico utilizado na condenação, que considerou uma publicação sobre a compra de uma clínica de imagem como uma referência a Tanure. Os advogados ressaltam que o próprio empresário afirmou em audiência nunca ter comprado ou revendido uma clínica, o que, segundo eles, enfraquece a interpretação do tribunal.

Por fim, a peça dos embargos dedica diversas páginas a contestar a credibilidade das testemunhas ouvidas no processo, apontando que alguns depoentes tinham vínculos profissionais com empresas ligadas a Tanure, o que deveria ter sido considerado na avaliação das provas.

Timerman solicita que o TJSP esclareça as supostas omissões e contradições do julgamento, o que poderia levar à modificação da decisão. Caso seus argumentos não sejam aceitos, os embargos também servem para preparar um eventual recurso aos tribunais superiores.

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