Justiça é feita em homenagem ao Mestre-Sala dos Mares

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Justiça do Rio de Janeiro reconhece a luta de João Cândido com condenação histórica.

A decisão da Justiça do Rio de Janeiro marcou um importante passo na luta pela reparação histórica ao condenar o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, a pagar 200 mil reais por ofensas dirigidas aos líderes da Revolta da Chibata. Essa condenação ocorreu durante a discussão de um projeto que visa conferir ao marinheiro João Cândido o título de ‘Herói da Pátria’.

Este é um marco significativo, embora pouco repercutido, sendo a primeira vitória judicial de João Cândido após 115 anos do movimento que denunciou os açoites e torturas infligidos aos marinheiros, em sua maioria negros, por oficiais brancos em um país que, teoricamente, havia abolido a escravidão.

O Ministério Público Federal estabeleceu uma reparação de 5 milhões de reais a ser destinada a projetos que preservem a memória de João Cândido. No entanto, os 200 mil reais impostos a Olsen foram considerados irrisórios, especialmente após suas declarações desdenhosas que classificaram os revoltosos como “abjetos” e o movimento como “reprovável”. Essas afirmações foram feitas em uma carta contra a tramitação do projeto na Câmara Federal, ecoando as vozes de grupos bolsonaristas.

Esse episódio evidencia o atraso de certos setores militares que ainda se orgulham de práticas desumanas, como as chibatadas, e que reverenciam figuras golpistas de 1964. É importante lembrar que a punição imposta pelo comandante João Batista das Neves ao marinheiro Marcelino Menezes, que recebeu 250 chibatadas em 1910, é um exemplo de crueldade inaceitável.

As condições em que João Cândido foi preso também são alarmantes. Mesmo após ser anistiado, ele foi encarcerado em uma cela superlotada, onde 17 pessoas foram mantidas em condições subumanas. Após dias, apenas dois sobreviveram, resultando em uma tragédia brutal.

João Cândido faleceu em 1969, em condições de pobreza e esquecimento. Expulso da Marinha, passou por um sanatório e, posteriormente, tornou-se pescador. Sobreviveu por alguns anos com uma modesta pensão concedida por Leonel Brizola. Ele não teve a oportunidade de ver sua história eternizada na música de Aldir Blanc e João Bosco, que clama pela liberdade.

<pHá relatos de que o Almirante Negro se emocionou ao rever o Encouraçado Minas Gerais, que comandou com dignidade durante a revolta. As memórias dos revolucionários da Revolta da Chibata merecem ser respeitadas e valorizadas.

O resgate da figura de João Cândido, liderado pelo movimento negro, representa um desafio para os racistas e inquieta as altas cúpulas militares que não aceitam um militar que se recusa a aceitar a opressão.

Independentemente da aprovação ou não do PL 4046/2021, João Cândido é, sem dúvida, um ‘Herói da Pátria’, símbolo da luta antirracista e da resistência de um povo que não deve esquecer os horrores do passado. O esquecimento do passado é um convite à sua repetição. Tortura nunca mais!

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