Ulbra investiga nova abordagem de reprogramação imune no combate ao câncer
Estudo da Ulbra investiga a relação entre inflamação tumoral e função mitocondrial em macrófagos.
A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) está à frente de pesquisas que buscam entender os mecanismos relacionados ao câncer, focando na reprogramação funcional de macrófagos associados a tumores. Esta investigação se dá sob a influência de inflamação crônica e disfunção mitocondrial, em uma abordagem que utiliza biologia de sistemas.
Os macrófagos desempenham um papel crucial no sistema imunológico, sendo responsáveis pela fagocitose de patógenos, pela remoção de detritos celulares e pela regulação das respostas inflamatórias. Eles são componentes centrais da imunovigilância no organismo.
O projeto de pesquisa, que faz parte da pós-graduação Stricto Sensu, analisa a interação entre o sistema complemento, redes inflamatórias persistentes e as alterações metabólicas que ocorrem no microambiente tumoral.
A investigação, intitulada “Integração entre sistema complemento, inflamação e disfunção mitocondrial em macrófagos associados a tumores”, é conduzida por Amanda Dalla’Cort Chaves e utiliza modelagem in silico baseada em redes proteína-proteína extraídas da literatura biomédica.
Os resultados indicam que há um acoplamento funcional entre as assinaturas inflamatórias, a reorganização metabólica e a perda de homeostase mitocondrial em macrófagos tumorais, resultando na convergência para fenótipos imunossupressores.
O microambiente tumoral é analisado como um sistema dinâmico não linear, onde as interações entre células imunes e a sinalização inflamatória modulam os estados celulares de forma alternativa.
Os macrófagos associados a tumores demonstram uma plasticidade fenotípica que depende do contexto, alternando entre estados efetores e pró-tumorais, especialmente sob pressão de inflamação contínua.
A disfunção mitocondrial se destaca como um elemento central que integra estresse metabólico, sinalização redox e reprogramação imunológica, influenciando significativamente os processos associados ao tumor.
O sistema complemento também atua como um modulador dessas redes, afetando a amplificação da inflamação e a evasão imune em diferentes níveis de regulação.
Os achados sugerem uma convergência sistêmica entre inflamação crônica, desregulação metabólica e falhas na resposta imune efetora, o que sustenta a reprogramação funcional dos macrófagos no microambiente tumoral.
A pesquisa posiciona a Ulbra em um novo patamar dentro do campo da imunologia de sistemas e oncologia computacional, enfatizando a importância de compreender as arquiteturas regulatórias complexas em vez de se concentrar apenas em alvos moleculares isolados.
Nesse contexto, o câncer é visto como um sistema emergente de interações imunometabólicas, com uma estabilidade dinâmica de estados pró-tumorais mediada por redes inflamatórias interdependentes.
Este trabalho ressalta a necessidade de modelos integrativos para entender os fenótipos celulares emergentes, onde múltiplas vias biológicas operam simultaneamente e de maneira não linear.
A modelagem computacional se destaca como uma ferramenta valiosa para inferir sistemas biológicos complexos, possibilitando a reconstrução de redes funcionais a partir de dados bibliográficos estruturados.
Ao integrar inflamação, metabolismo mitocondrial e sistema complemento, a pesquisa sugere que a disfunção imune no câncer deve ser vista como uma propriedade emergente de redes interconectadas, e não como um evento isolado.
Desta forma, a Ulbra se consolida como referência em pesquisas biomédicas avançadas, com foco na análise sistêmica de processos imunológicos e metabólicos relacionados à progressão tumoral.
