Soja registra queda nos preços e escassez de negócios no início de ano despromissor
Início de 2026 apresenta desafios para o mercado brasileiro de soja.
O cenário do mercado brasileiro de soja no começo de 2026 tem sido desanimador. Durante janeiro, o ritmo de negócios foi lento, refletindo a queda nos preços e a postura cautelosa de compradores e vendedores. A comercialização se desenvolveu de maneira tímida, em um ambiente caracterizado por baixa liquidez.
Os dois principais fatores que influenciam as cotações internas apresentaram comportamentos opostos. Enquanto os contratos futuros da soja na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) registraram ganhos, o dólar passou por uma forte desvalorização em relação a outras moedas, incluindo o real, o que reduziu a competitividade dos preços internos.
Frente a essa conjuntura, os produtores brasileiros têm se concentrado nas atividades agrícolas. Até o momento, não há registros significativos de problemas climáticos, e a colheita avança conforme esperado. As produtividades indicam um bom potencial das lavouras, reforçando a expectativa de uma safra recorde, que deverá ultrapassar 179 milhões de toneladas.
Os preços da soja nas principais regiões produtoras foram impactados e apresentaram as seguintes cotações:
- Passo Fundo (RS): a saca de 60 quilos começou o ano a R$ 138,00 e caiu para R$ 124,00 no final de janeiro.
- Cascavel (PR): o preço caiu ao longo do mês e encerrou janeiro cotado a R$ 116,00.
- Rondonópolis (MT): a cotação fechou o mês a R$ 107,00, refletindo a pressão do mercado.
- Porto de Paranaguá (PR): a saca foi negociada a R$ 127,00, acompanhando a retração dos preços internos.
Soja em Chicago inicia o ano em recuperação
Apesar das dificuldades no mercado doméstico, o cenário internacional apresentou sinais de recuperação. Os contratos com vencimento em maio valorizaram-se ao longo de janeiro na CBOT, impulsionados principalmente por expectativas de uma reaproximação comercial entre China e Estados Unidos, o que poderia abrir espaço para novos compromissos envolvendo a soja americana. A desvalorização do dólar também favoreceu a competitividade dos produtos agrícolas dos EUA no mercado global.
Ao final do mês, a falta de chuvas na Argentina ofereceu suporte adicional às cotações. No entanto, a perspectiva predominante permanece de ampla oferta mundial. A entrada da safra brasileira no mercado e a expectativa de produção abundante na Argentina mantêm um viés de cautela, com a demanda chinesa já direcionando suas compras para a América do Sul.
Câmbio
O câmbio, por sua vez, seguiu uma trajetória oposta à de Chicago e exerceu influência significativa sobre os preços internos. O dólar comercial acumulou uma queda expressiva em relação ao real durante o mês, ampliando a pressão sobre as cotações da soja no Brasil.
As incertezas geradas por declarações contraditórias do presidente americano, envolvendo tarifas, a administração do banco central e questões geopolíticas, aumentaram a aversão ao risco nos mercados internacionais. Isso resultou na saída de recursos dos Estados Unidos e um maior fluxo de capital para países emergentes, o que reforçou a desvalorização do dólar e impactou diretamente a formação de preços da soja no mercado brasileiro.
