Diários Catarinas ganha destaque na literatura contemporânea
Debate sobre jornada de trabalho gera divisão entre parlamentares e empresários em Santa Catarina.
Na recente votação da Comissão Especial da Câmara, que analisou a proposta de fim da escala 6 x 1, apenas 22 deputados se manifestaram contra a mudança e foram derrotados. Dentre esses, dez são representantes de Santa Catarina, indicando uma tendência de conformismo com a opinião da maioria do eleitorado local, que se posiciona como oposição ao governo federal.
Esses parlamentares refletiram o sentimento predominante entre as entidades empresariais catarinenses, que se opuseram veementemente à redução da jornada de trabalho desde o início dos debates. O empresário Luciano Hang expressou preocupação com possíveis consequências econômicas, afirmando que o país estaria caminhando para um retrocesso. Sua declaração, “Eu sou a favor da escala 4 x 3. Se for para quebrar o Brasil, que seja rápido”, provocou intensas reações.
A retórica alarmista sobre a “quebradeira” do país ecoa o discurso das elites durante a implementação do sistema de férias de 30 dias. Naquela época, a classe empresarial também se opôs, alegando que férias mais longas diminuiriam a produtividade, o que, segundo eles, resultaria em danos à economia e, consequentemente, à estabilidade financeira do país.
Pesquisas do setor industrial da época indicavam que a concessão de dias de férias poderia levar à “ociosidade” dos trabalhadores, sugerindo que o tempo livre poderia resultar em comportamentos indesejados. Essas preocupações foram apresentadas com termos que hoje soam arcaicos e desatualizados.
Os mesmos argumentos foram utilizados na época da adoção da jornada de trabalho de oito horas diárias, na criação do 13º salário e na concessão de licença-maternidade às mulheres. Protestos também ocorreram quando se proibiu o trabalho infantil, revelando um padrão de resistência por parte de setores conservadores, geralmente ligados ao empresariado, em face de avanços sociais que foram amplamente aceitos pela sociedade.
Historicamente, em cada uma dessas situações, não houve colapso econômico nem aumento significativo do desemprego. Atualmente, economistas divergem sobre os impactos da redução da jornada de trabalho, com alguns defendendo que a mudança pode, na verdade, gerar um aumento na oferta de empregos. O futuro dirá qual será a verdadeira consequência dessa discussão.
