Rio Grande do Sul se destaca como um dos poucos estados brasileiros livres da doença que afeta a citricultura
Rio Grande do Sul permanece livre da doença HLB/greening após monitoramento rigoroso.
O Rio Grande do Sul se mantém como um dos poucos Estados brasileiros livres da doença HLB/greening, a qual é considerada altamente destrutiva para a citricultura. Essa informação foi obtida através de um monitoramento realizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), referente ao ciclo 2025-2026 dos citros. Os resultados foram apresentados durante uma reunião da Câmara Setorial de Citricultura.
Entre novembro de 2025 e março de 2026, o Departamento de Defesa Vegetal (DDV/Seapi) instalou 374 armadilhas em pomares de 77 municípios, realizando um total de 4.326 leituras. O objetivo do monitoramento foi detectar a presença do inseto Diaphorina citri, conhecido vetor da bactéria causadora da HLB/greening, que tem afetado severamente a citricultura em várias regiões do Brasil.
A cada 15 dias, as armadilhas passaram por uma troca das cartelas adesivas, seguidas de uma análise detalhada dos insetos capturados. De acordo com a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal, foram identificados 103 insetos suspeitos, dos quais 88 foram confirmados como Diaphorina citri. Notavelmente, a bactéria responsável pela HLB/greening não foi detectada nas amostras analisadas.
O monitoramento é crucial para que o Estado mantenha seu status livre da doença, embora a presença do vetor represente uma preocupação significativa. A maioria da produção citrícola no Rio Grande do Sul é oriunda da agricultura familiar, o que intensifica as preocupações diante da potencial entrada da doença no Estado.
Como parte das estratégias de prevenção, a chefe da DDSV destacou a importância do cumprimento da Portaria 1.326 do Ministério da Agricultura e Pecuária, que estabelece que os materiais de propagação devem ser produzidos em ambientes controlados. Essa medida é fundamental para evitar a circulação das bactérias, que podem ser facilmente transmitidas quando as mudas são cultivadas ao ar livre.
Além disso, a ingressão de mudas e frutos de outros Estados é rigorosamente regulamentada. É proibido que os frutos sejam acompanhados de folhas, uma vez que o inseto pode estar oculto nelas, representando um risco ao ecossistema local.
A colaboração entre o setor produtivo e a Seapi é vital para garantir a manutenção do status fitossanitário. A chefe da DDSV enfatiza que os produtores devem estar atentos e, caso notem qualquer anormalidade em seus pomares, devem contatar imediatamente a inspetoria local ou de cidades vizinhas.
Durante a reunião da Câmara Setorial, também foram discutidas a situação atual e as expectativas para a safra de citros, cuja abertura oficial ocorreu em 29 de maio, em Montenegro.
