Estudantes gaúchos desenvolvem curativo de babosa e camomila que se dissolve em 48 horas e conquistam prêmio ambiental juvenil global
Estudantes gaúchos criam curativo biodegradável e vencem prêmio internacional de sustentabilidade.
A sustentabilidade pode ser aliada da medicina, como demonstraram Bernardo Renner e Ísis Valentin, dois estudantes de Gravataí, Porto Alegre. Eles desenvolveram um curativo biodegradável, feito com babosa e camomila, que se decompõe em até 48 horas. O produto, chamado Hada, foi criado para substituir os bandaids plásticos e diminuir a geração de resíduos. Essa inovação garantiu aos jovens a vitória na etapa da América Central e do Sul do The Earth Prize 2026, um dos maiores prêmios ambientais para jovens no mundo.
A ideia de um curativo sustentável nasceu durante jogos de vôlei na escola, onde os estudantes notaram o acúmulo de curativos descartados após pequenos machucados. Apesar de serem utilizados por poucos dias, esses curativos são feitos com materiais plásticos que demoram muito para se decompor no meio ambiente.
Com essa percepção, Bernardo e Ísis começaram a pesquisar alternativas mais sustentáveis e encontraram uma combinação de ingredientes naturais. Assim, criaram o Hada, um biocurativo desenvolvido com babosa e camomila, plantas conhecidas por suas propriedades benéficas para a pele.
O curativo não só protege pequenas lesões, mas também auxilia no processo de cicatrização e reduz o impacto ambiental gerado pelo descarte de curativos convencionais. Um dos principais diferenciais do Hada é sua rápida decomposição: enquanto os resíduos plásticos podem levar anos para se desfazer, o curativo biodegradável desaparece no solo em aproximadamente 48 horas.
Os protótipos do curativo já passaram por testes iniciais, apresentando resultados positivos em aderência, flexibilidade e ação antimicrobiana. Isso indica um grande potencial para aplicação em ambientes escolares, esportivos e na área da saúde.
Os desafios ambientais do futuro podem ser enfrentados por uma geração que ainda não chegou à universidade. O The Earth Prize, a maior competição global de sustentabilidade voltada para estudantes do ensino médio, foi criado para identificar e apoiar jovens com ideias que possam gerar um impacto real no planeta. Em 2026, a competição reuniu milhares de estudantes de diversos países, mas Bernardo e Ísis se destacaram com sua pesquisa e conquistaram o título regional com o curativo biodegradável.
Com a vitória, os estudantes receberam um prêmio de US$12,5 mil, equivalente a R$60 mil, que será utilizado para continuar o desenvolvimento da tecnologia. O objetivo agora é aprimorar o biocurativo e expandir suas aplicações. Além de desenvolver protótipos funcionais, eles também estão produzindo artigos científicos e estabelecendo parcerias com instituições e especialistas do Rio Grande do Sul para avançar nas pesquisas.
