Governo do RS lança projeto de recuperação de solo em Agudo após enchentes
Iniciativa busca restaurar a mata ciliar no arroio Corupá através de um sistema agroflorestal.
Um projeto-piloto está sendo implementado no município de Agudo, com o objetivo de recompor a mata ciliar do arroio Corupá. Desenvolvido pelo governo do Estado em colaboração com o Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Florestal (Ceflor) e a Emater/RS-Ascar, a iniciativa visa criar um sistema agroflorestal (SAF) em uma propriedade rural na localidade de Linha Boêmia.
A implementação do projeto ocorrerá ao longo de junho. O Ceflor, que integra o Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária, vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, está à frente das atividades.
A pesquisadora Gerusa Steffen, especialista em microorganismos do solo, afirmou que o intuito é que a propriedade sirva como uma unidade demonstrativa, apresentando um modelo de recuperação para áreas afetadas por desastres naturais. A escolha da propriedade foi feita em conjunto com o corpo técnico da Emater de Agudo, com o planejamento do SAF elaborado por pesquisadores do Ceflor, levando em conta as preferências dos agricultores locais.
As fortes chuvas recentes causaram alagamentos em diversas propriedades rurais do município, resultando em alterações significativas nos leitos de arroios e rios, além de impactos no solo das áreas agrícolas.
Plantio de espécies nativas
Para a recomposição da mata ciliar e o desenvolvimento do SAF, serão plantadas espécies nativas frutíferas, como a cerejeira-do-rio-grande, a goiabeira serrana e o araçá, produzidas no Ceflor de Santa Maria desde o ano passado. Além disso, espécies exóticas, como o pessegueiro e a nectarineira, também serão utilizadas. No total, estão previstas 100 mudas a serem plantadas na área.
Todos os insumos necessários, incluindo corretivos de solo, mudas florestais e sementes de plantas de cobertura, serão financiados por um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio Grande do Sul, que visa fortalecer a resiliência da agropecuária diante das mudanças climáticas.
Um olhar para a natureza
Durante uma visita técnica para o planejamento das ações de restauração, os pesquisadores identificaram uma colônia saudável de um fungo verde do gênero Trichoderma sobre um pedaço de madeira em decomposição em uma área de solo exposto. Esse fungo, conhecido por ser benéfico, é crucial para a fertilidade do solo, auxiliando na ciclagem de nutrientes.
A presença desse microrganismo é um indicativo positivo para os agricultores, segundo Gerusa, que coletou o fragmento de madeira para isolá-lo em laboratório e inoculá-lo nas mudas a serem plantadas.
Os fungos do gênero Trichoderma são fundamentais para a saúde do solo, pois ajudam na ciclagem de nutrientes e no controle biológico de doenças que afetam as plantas, além de promover a produção de compostos e fitohormônios que estimulam o enraizamento.
A análise química do solo revelou deficiências de nutrientes e baixos teores de matéria orgânica, o que limita a atividade de microrganismos benéficos. Para corrigir a fertilidade do solo, está prevista a adição de fontes orgânicas e minerais, juntamente com a semeadura de plantas de cobertura de inverno para prevenir a erosão e melhorar a estrutura do solo.
“O projeto visa não apenas a reintrodução de plantas nas áreas degradadas, mas a restauração da vida e qualidade do solo, essenciais para a produtividade agrícola. Solos saudáveis resultam em plantas saudáveis, fundamentais para a alimentação da população. A saúde do solo e da população está interligada”, concluiu a pesquisadora.
