Capão da Canoa reúne 5 mil pessoas em celebração do Dia de Iemanjá na beira-mar

Compartilhe essa Informação

Capão da Canoa homenageia Iemanjá com grande celebração religiosa

Na virada da noite de 1º para 2 de fevereiro, o litoral norte gaúcho realizou uma das suas mais significativas tradições religiosas: o Dia de Iemanjá, a Rainha do Mar. Em Capão da Canoa, aproximadamente 5 mil pessoas se reuniram na orla para prestar homenagens e fazer oferendas à deusa das águas, que simboliza proteção e força espiritual.

O local conta com um altar fixo dedicado a Iemanjá na Avenida Beira-Mar, inaugurado em 1994, que se tornou um ponto de referência para os devotos. Ao longo do ano, os fiéis costumam deixar flores, perfumes, espelhos e frutas, objetos que evocam a figura materna da entidade. Durante a celebração, o altar se transforma em um espaço vibrante de devoção, atraindo tanto moradores quanto turistas.

Na noite festiva, a praia foi tomada por várias tendas de grupos religiosos, que distribuíram velas e realizaram cânticos e danças, criando um ambiente de espiritualidade compartilhada. Entre os participantes, destacou-se a tenda do Pai Cezinha Ogum Beira-Mar, líder espiritual e cacique de Umbanda, que há 35 anos coordena os rituais na cidade.

Pai Cezinha expressou a importância do evento: “Viemos saudar a mãe Iemanjá e fazer nossos pedidos, principalmente pela paz na Terra e pela misericórdia em relação à destruição da natureza. É um momento de perdão e busca por harmonia”.

A cerimônia contou com a participação de cerca de 200 médiuns e atraiu um público diversificado, de crianças a idosos, todos unidos em um mesmo propósito. A festividade começou por volta das 22h, com a distribuição de axé e seguiu até o amanhecer, culminando com um barco repleto de oferendas sendo lançado ao mar, acompanhando gritos de louvor a Iemanjá.

As oferendas típicas, como flores, frutas e perfumes, são simbolicamente ligadas à beleza e ao feminino da deusa. Pai Cezinha ressaltou a relevância desses atos: “Ela aprecia tudo que é belo, e por isso oferecemos esses elementos como forma de agradecimento e pedido de proteção”.

O evento também se tornou um importante atrativo turístico, recebendo devotos de diversas partes do Rio Grande do Sul e de outros estados. Segundo Pai Cezinha, “Muitos vêm pagar promessas ou simplesmente participar da tradição, o que ajuda a fortalecer a cidade como um centro de fé”.

Além disso, o dirigente destacou a crescente aceitação da Umbanda e do Candomblé, religiões que enfrentaram preconceitos no passado. “Hoje as pessoas começam a entender nosso trabalho e a respeitar nossa fé, o que é uma grande vitória”, afirmou.

A celebração em Capão da Canoa foi marcada por momentos de forte emoção, com muitos fiéis ajoelhando-se na areia e acendendo velas. O altar, iluminado com símbolos de devoção, reafirmou o caráter permanente da fé na cidade, mostrando que o Dia de Iemanjá é um verdadeiro encontro de tradições e gerações, consolidando Capão da Canoa como um dos principais polos da devoção à Rainha do Mar no Rio Grande do Sul.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *