Deputados propõem plano de cooperação penal ao Congresso dos Estados Unidos
Deputados brasileiros propõem cooperação com os EUA no combate ao crime organizado.
Durante uma missão parlamentar nos Estados Unidos, deputados brasileiros apresentaram uma proposta de cooperação entre os dois países para enfrentar o crime organizado transnacional.
O grupo, composto por líderes de partidos como PT, PSB, PCdoB e Rede, foi a Washington após o Departamento de Estado dos EUA classificar facções criminosas brasileiras como grupos terroristas. Essa classificação altera a competência investigativa, transferindo-a para a CIA, que poderá atuar no Brasil, além de permitir sanções econômicas a empresas que operam em ambos os países.
O plano apresentado pelos congressistas visa um combate mais eficaz às facções, priorizando a cooperação policial, judicial, financeira e diplomática, sempre respeitando as legislações locais e evitando a rotulação de terrorismo.
Esse enfoque segue a linha das propostas que o presidente Lula apresentou a Donald Trump em uma reunião realizada no início de maio. Pedro Uczai destacou que a intenção é promover cooperação, sem interferências ou intervenções.
Principais pontos
A proposta centraliza esforços em desmantelar a estrutura econômica das organizações criminosas, focando em bloquear ativos, rastrear fluxos financeiros e desarticular redes de apoio. O objetivo é evitar medidas que possam gerar conflitos diplomáticos ou questionamentos sobre a soberania brasileira.
O documento delineia dez frentes prioritárias de atuação, que incluem o rastreamento de dinheiro, combate ao tráfico de armas, repressão ao narcotráfico, atuação conjunta com a Interpol, e ações contra crimes ambientais e tráfico de pessoas, além de políticas de redução da demanda por drogas.
Entre as medidas práticas sugeridas estão a criação de um grupo de trabalho bilateral permanente e o intercâmbio de inteligência financeira. Também se propõe o rastreamento de armas de origem norte-americana e a formação de equipes conjuntas para investigar lavagem de dinheiro.
O plano sugere que a agenda seja aplicada a casos concretos, como investigações relacionadas ao Banco Master, ao tráfico internacional de drogas e armas, e à mineração ilegal na Amazônia.
Tarifaço
A missão parlamentar ocorreu na mesma semana em que um relatório preliminar do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou a imposição de novas tarifas de importação de 25% sobre produtos brasileiros. Essa recomendação surgiu de uma investigação solicitada por Donald Trump em 2025, baseada na Lei de Comércio de 1974.
O resultado da investigação levará a Casa Branca a tomar uma decisão sobre a proposta no dia 15 de julho. Jandira Feghali afirmou que o grupo buscará uma iniciativa no Legislativo americano para evitar a implementação das sanções, destacando a necessidade de fornecer dados que ajudem a reverter essa situação.
