Mãe de Henry Borel é libertada após perdão judicial
Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, recebe perdão judicial enquanto padrasto é condenado.
A professora Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, obteve perdão judicial da juíza Elizabeth Louro, do 2º Tribunal do Júri, nesta quinta-feira (4 de junho de 2026). A decisão refere-se às acusações relacionadas à morte do menino, ocorrida em 8 de março de 2021. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro anunciou que irá recorrer dessa decisão.
O padrasto de Henry, Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação. A condenação foi resultado de um longo julgamento realizado pela 2ª Promotoria de Justiça junto ao 2º Tribunal do Júri da Capital, que se tornou o mais extenso da história do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Embora também tenha sido denunciada por homicídio, Monique recebeu perdão judicial após o Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri classificar o crime como homicídio culposo, que implica a ausência de intenção de matar. Com essa decisão, Monique deixou o presídio feminino Talavera Bruce, no Complexo Penitenciário de Gericinó.
A promotoria destacou que Jairinho possuía um histórico de agressões contra mulheres e crianças, incluindo Monique. A acusação argumentou que ela ignorou diversos sinais de alerta sobre o perigo que o ex-vereador representava para ela e para Henry.
O promotor de Justiça Fábio Vieira afirmou que as evidências desde o início da investigação foram robustas, apontando a responsabilidade dos réus. Ele expressou a convicção da acusação de que Monique deveria ter sido condenada pelo homicídio doloso de Henry.
O CASO HENRY BOREL
De acordo com o inquérito, Monique e Jairinho relataram ter encontrado Henry, então com 4 anos, caído no chão do quarto que compartilhava com a mãe, com pés e mãos gelados e olhos revirados. Ao ser levado ao Hospital Barra D’Or, as médicas constataram que o menino já estava sem vida. O laudo de necropsia revelou lesões compatíveis com espancamento, hemorragia interna e laceração hepática causada por um objeto contundente.
Durante o depoimento, Monique afirmou acreditar que Henry havia acordado e caído do lado da cama. Jairinho, por sua vez, disse ter ouvido gritos de Monique e, ao entrar no quarto, percebeu que o menino estava gelado e apresentava dificuldades respiratórias.
Henry não respondeu aos procedimentos de respiração boca a boca ou aos estímulos realizados durante o trajeto ao hospital. Jairinho, que é médico, declarou que nunca exerceu a profissão.
Testemunhas ouvidas pelo delegado Henrique Damasceno relataram que Jairinho tinha um comportamento agressivo e já havia agredido outra criança anteriormente.
Na denúncia do Ministério Público, foi mencionado que Jairinho agredia Henry com frequência, causando intenso sofrimento físico e mental, enquanto Monique se omitia ao não cumprir seu dever de proteção e vigilância.
