Flávio defende que Pix é uma criação de Bolsonaro, apesar de ex-presidente ter negado conhecimento sobre a medida em 2020
Flávio Bolsonaro defende paternidade do Pix em meio a críticas e nova tarifa dos EUA.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem se esforçado para desvincular seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, do cerco ao sistema de pagamentos Pix, que se tornou popular entre os brasileiros. Recentemente, ele afirmou que a criação do sistema é uma conquista da gestão de seu pai.
No entanto, em um episódio emblemático, Jair Bolsonaro demonstrou desconhecimento sobre o funcionamento do Pix quando um apoiador o elogiou pela iniciativa. Ele confundiu o sistema com um pacote de aviação e, ao ser corrigido, admitiu não ter informações e prometeu conversar com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Apesar da confusão inicial, Flávio insiste que “o Pix é do Brasil e do Bolsonaro”. A declaração foi feita em um contexto onde o ex-presidente interagia com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em outubro de 2020, quando o sistema estava sendo lançado.
Recentemente, a paternidade do Pix voltou à tona no debate político, especialmente após o governo dos Estados Unidos acusar o Banco Central brasileiro de favorecer o sistema em detrimento de métodos de pagamento americanos, como cartões de crédito. Essas alegações foram parte de um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, que também propôs uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, acusando práticas comerciais desleais.
O anúncio das tarifas ocorreu logo após Flávio se reunir com Donald Trump na Casa Branca, onde ele pediu a classificação de facções criminosas como terroristas. Contudo, a nova tarifa se tornou um revés para o senador, que se defendeu afirmando ter solicitado a Trump que não taxasse os produtos brasileiros.
Em resposta às acusações, o presidente Lula (PT) criticou Flávio, chamando-o de traidor da pátria durante um evento em Goiás, onde afirmou que o Pix é uma conquista nacional. Lula ressaltou que não permitiria interferências externas no sistema de pagamentos brasileiro.
No dia seguinte, Flávio se manifestou em Minas Gerais, exibindo um cartaz que reafirmava a paternidade do Pix, enquanto atribuía a culpa pelo novo tarifaço à postura do governo Lula em relação aos EUA.
O Pix, que começou a ser desenvolvido em 2018 durante a gestão de Michel Temer, foi lançado em 2020, sob a liderança de Roberto Campos no Banco Central. Desde sua implementação, o sistema tem se mostrado uma ferramenta eficaz para pagamentos instantâneos no Brasil.
Um levantamento recente indicou que Flávio é frequentemente responsabilizado pelas críticas ao Pix e pelo novo tarifaço, com 80% das mensagens analisadas em grupos de WhatsApp e Telegram apontando sua participação nas discussões.
A análise foi realizada pela empresa Palver, que monitorou as interações entre 27 de maio e 2 de junho, período em que Flávio esteve nos EUA e se encontrou com Trump.
