Chineses competem por contas bancárias e corretoras em Hong Kong
Investidores chineses buscam abrir contas em Hong Kong para driblar restrições de investimento.
Um número crescente de investidores chineses está se dirigindo a Hong Kong para abrir contas bancárias e em corretoras de forma presencial. Essa movimentação ocorre em resposta ao aumento da fiscalização sobre as atividades de investimento transfronteiriças, que tem se intensificado nos últimos meses.
Essa corrida por contas presenciais acontece em um contexto em que os reguladores da China e de Hong Kong estão se mobilizando para fechar brechas e eliminar gradualmente as plataformas de negociação transfronteiriças não autorizadas. O objetivo é implementar um plano de retificação que deve ser concluído em dois anos, o que tem pressionado as corretoras online e, ao mesmo tempo, gerado novas oportunidades para empresas locais de Hong Kong.
Na quarta-feira, multidões de investidores da China se concentraram em frente às agências de corretoras como Chief Securities e uSMART Securities na estação de trem de alta velocidade West Kowloon. Muitos portavam apenas carteiras de identidade da China continental, mas os funcionários informaram que ainda era possível abrir contas para negociar ações em Hong Kong e nos Estados Unidos, desde que os documentos necessários fossem apresentados.
A corrida por abertura de contas foi desencadeada por uma ação regulatória coordenada. No final de maio, diversas agências governamentais da China divulgaram um plano abrangente para combater negócios ilegais relacionados a valores mobiliários, futuros e fundos transfronteiriços. Simultaneamente, as autoridades de Hong Kong atualizaram as regras que regem a abertura de contas de investimento por clientes da China, visando reduzir as áreas cinzentas em torno das negociações offshore.
As autoridades chinesas têm como meta eliminar operações financeiras online ilegais em um prazo de dois anos. Aqueles que já possuem contas em plataformas offshore terão suas atividades limitadas a vendas de ativos e saques, enquanto sites e aplicativos de negociação serão desativados.
Entretanto, as novas diretrizes de Hong Kong não proíbem a abertura de contas pessoalmente por residentes da China. As corretoras e bancos licenciados devem realizar verificações adicionais para assegurar que os fundos dos clientes são provenientes de fontes legítimas fora do país. Essa mudança desloca o controle regulatório para a fase de financiamento do processo de abertura de conta.
Corretoras online como Up Fintech, Futu e Long Bridge HK já restringiram a abertura de contas para residentes da China que possuam apenas carteiras de identidade chinesas. A Up Fintech, operadora da Tiger Brokers, anunciou que bloqueará novos investimentos a partir de 12 de junho. Por outro lado, corretoras menores em Hong Kong veem essas restrições como uma oportunidade de negócio.
Na Chief Securities, os investidores precisam apresentar documentos como a carteira de identidade da China, comprovante de entrada em Hong Kong e autorização de viagem válida. A uSMART Securities permite que os clientes solicitem uma conta de corretagem mesmo enquanto o pedido de abertura da conta bancária estiver em processamento.
Fontes do setor informam que as corretoras locais licenciadas em Hong Kong não estão diretamente sujeitas à regulamentação da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China. Assim, ao abrir contas para clientes da China, desde que assinem declarações confirmando a origem legítima dos fundos, essas empresas não estariam violando as regras de Hong Kong.
A movimentação não se limita às corretoras. Em uma agência do HSBC próxima, muitos clientes estavam em fila para abrir contas de poupança, com planos de usá-las para futuras negociações. Além disso, agentes de seguros em Tsim Sha Tsui começaram a oferecer assistência gratuita na abertura de contas bancárias, alegando parcerias que facilitariam o processo para visitantes da China.
Embora as restrições que afetam algumas corretoras sejam específicas, especialistas do setor alertam que o crescimento do mercado offline pode trazer riscos legais. Um banqueiro privado em Hong Kong destacou que investidores que assinam declarações sobre a origem offshore de seus fundos podem enfrentar responsabilidades legais caso as autoridades descubram que os recursos não são legítimos.
Os residentes da China continental ainda enfrentam rígidos controles de capital, incluindo uma cota anual de câmbio de US$ 50.000 por pessoa, destinada apenas a consumo pessoal. Além disso, desde 2018, a China troca informações fiscais com Hong Kong, permitindo que as autoridades chinesas acessem contas financeiras de residentes em Hong Kong.
