Documentário aborda preconceito enfrentado por personagens do funk carioca

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Documentário “Massa Funkeira” revela as histórias por trás do funk ousadia.

O funk carioca, que surgiu nas favelas do Rio de Janeiro na década de 1990, é marcado por uma forte expressão de rebeldia. Inicialmente, o gênero destacou o proibidão, com letras que abordavam a dura realidade do tráfico de drogas e a tensão com a polícia nas comunidades.

Com o passar do tempo, o funk evoluiu, dando origem ao funk melody, que trouxe letras românticas, e ao funk ousadia, que, no início do século XXI, passou a tratar de temas mais explícitos relacionados à sexualidade. Esse último subgênero, embora popular, atraiu críticas que frequentemente desconsideram o contexto e as histórias dos artistas envolvidos.

É nesse cenário que se insere o documentário Massa Funkeira, dirigido por Ana Rieper. Com 90 minutos de duração, o filme explora o universo do funk ousadia, revelando não apenas a estética e as letras, mas também as narrativas de sobrevivência e afirmação que permeiam o movimento. O longa-metragem está competindo na edição nacional do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, que ocorre de 17 a 28 de junho em São Paulo.

Uma das protagonistas do filme é MC Dandara, que teve uma infância difícil, marcada pela ausência materna e pela violência doméstica. Após se mudar para o Rio de Janeiro com o desejo de se tornar cantora, Dandara começou sua carreira no funk consciente, mas acabou seguindo a orientação de investir em letras de conteúdo sexual explícito, o que lhe trouxe sucesso temporário. Hoje, aos 58 anos, ela é mostrada trabalhando em uma vendinha, um retrato que humaniza sua trajetória.

Outra figura importante é MC Nem, que se destacou em duelos de palco com MC Kátia, abordando temas como a infidelidade feminina. Gravada na comunidade do Jacarezinho, sua participação é marcada por um momento íntimo em que apresenta seu filho adotado, agora adolescente, o que a distancia do estereótipo da funkeira e revela sua vulnerabilidade.

O documentário também apresenta a história de uma dançarina de funk, mãe de três filhos, que compartilha sua experiência de alívio após a morte do pai, um homem que mantinha uma vida de abusos e exploração dentro de casa.

Entre os artistas que participam do filme estão Valesca Popozuda, Tati Quebra Barraco, MC Carol, DJ Rennan da Penha, Kevin O’Chris e Deize Tigrona. Os depoimentos, colhidos nas comunidades, oferecem uma perspectiva do funk que muitas vezes é julgada por quem está de fora, mas raramente é ouvida de dentro.

Em Massa Funkeira, há uma exploração da dor e da precariedade, mas também da liberdade e da luta diária pela sobrevivência. O documentário se propõe a enfrentar o preconceito, não ao negar as contradições do funk, mas ao devolver a complexidade a personagens que frequentemente são reduzidos a meros estereótipos.

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