Super El Niño provoca elevação de 6 °C nas temperaturas oceânicas médias

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Super El Niño em formação promete impactos significativos no Brasil e no mundo.

Medições de satélites e radares confirmam a formação de um Super El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. Entre abril e maio, as temperaturas subsuperficiais apresentaram elevações superiores a 6 °C em relação à média histórica.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), há uma probabilidade de 90% de que o fenômeno se consolide nos próximos meses. Cientistas projetam que sua intensidade pode variar de moderada a forte, o que eleva os riscos globais associados a eventos climáticos extremos.

O aquecimento prolongado de 0,5 °C na superfície do mar, que começou a ser observado em fevereiro, marca o início deste evento climático. Os impactos exatos dependerão da localização onde o aquecimento máximo ocorrer.

Impactos previstos no Brasil

Os primeiros efeitos do Super El Niño devem ser sentidos na Região Sul durante a primavera, com a previsão de chuvas intensas. Essa análise foi apresentada por um especialista em pesquisa do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais.

Além disso, o fenômeno pode agravar a seca nos períodos de inverno e início do verão, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, o que gera preocupações no Congresso Nacional devido aos potenciais riscos para a população e o agronegócio.

Ainda assim, a safra de grãos no Brasil é estimada em 356 milhões de toneladas, representando um aumento de 1,2% em relação ao ano anterior, conforme as projeções oficiais.

Memória recente e falta de verbas

O último El Niño ocorreu entre 2023 e 2024 e foi um dos cinco mais intensos da história, resultando em severas inundações no Rio Grande do Sul. A sobreposição de eventos climáticos extremos naquele ano trouxe desafios significativos.

Apesar dos alertas sobre a necessidade de investimentos preventivos, os recursos destinados a regiões críticas permanecem estagnados. Santa Catarina, que decretou estado de alerta climático até novembro, tem implementado poucos recursos em infraestrutura de proteção.

Dados do Sistema Integrado de Planejamento e Gestão Fiscal de Santa Catarina mostram que apenas 15,4% da verba destinada à Defesa Civil foi utilizada em 2025, enquanto apenas 0,66% do montante foi alocado para reformas de barragens.

Desafios na adaptação contínua

A Defesa Civil da União está monitorando as condições climáticas em colaboração com estados e municípios, mas ainda não possui um prognóstico preciso sobre os impactos finais do fenômeno.

Especialistas sugerem que a preparação das cidades deve ser uma prioridade contínua. Um sociólogo defende que os municípios precisam se concentrar na resiliência da infraestrutura, em vez de apenas implementar medidas emergenciais.

A vulnerabilidade social nas periferias urbanas aumenta os riscos em situações de calamidade. Representantes de movimentos sociais destacam que comunidades que sofreram com enchentes anteriormente ainda carecem de investimentos públicos estruturais para se adaptarem às mudanças climáticas.

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