Bolsonaro afirma em 2020 desconhecer o funcionamento do Pix

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Confusão sobre o Pix marca a trajetória política de Jair e Flávio Bolsonaro.

No dia 5 de outubro de 2020, o sistema de pagamentos instantâneos conhecido como Pix foi lançado, mas o então presidente Jair Bolsonaro demonstrou desconhecimento sobre a ferramenta. Ao ser elogiado por um apoiador, confundiu o Pix com um pacote de desburocratização da aviação civil.

Esse episódio se destaca em contraste com as declarações recentes de Flávio Bolsonaro, que tenta atribuir a criação do Pix a seu pai. Essa defesa ocorre em meio a um debate acirrado entre governo e oposição, especialmente sobre tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, além da insatisfação do governo norte-americano com o funcionamento do sistema.

Na ocasião do lançamento do Pix, um apoiador parabenizou Bolsonaro, afirmando que o sistema traria benefícios à população, sendo gratuito e funcionando 24 horas. No entanto, o presidente desviou o assunto, mencionando um pacote relacionado à aviação civil, que seria anunciado pelo então ministro da Infraestrutura. Após ser corrigido sobre o tema, Bolsonaro admitiu não ter conhecimento sobre o Pix e prometeu se informar com o presidente do Banco Central à época.

Apesar da falta de familiaridade demonstrada pelo ex-presidente, o Banco Central registrou a criação de mais de 1 milhão de chaves do Pix em apenas 3 horas e meia no dia do lançamento. Curiosamente, as redes sociais oficiais de Bolsonaro já haviam mencionado o sistema em momentos anteriores, em fevereiro e agosto de 2020.

O desenvolvimento do Pix teve início em 2018, durante o governo de Michel Temer, e foi oficialmente lançado na gestão de Bolsonaro, com o cadastro de chaves começando em 5 de outubro de 2020 e a operação completa iniciando em 16 de novembro do mesmo ano.

Recentemente, a autoria do Pix voltou a ser discutida no cenário político, especialmente após um documento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, que alegou que o Banco Central favorece o sistema de forma injusta em relação a empresas de pagamento norte-americanas. Em resposta, foi proposta uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, dependendo da aprovação do presidente dos Estados Unidos.

Esse anúncio ocorreu após Flávio Bolsonaro se reunir com o presidente dos EUA, onde celebrou a decisão de Washington de classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou Flávio, associando sua viagem aos anúncios do governo norte-americano e chamando-o de “traidor da pátria”.

Em resposta, Flávio Bolsonaro defendeu a autoria do Pix, afirmando que o sistema pertence ao Brasil e a seu pai, e pediu ao presidente dos EUA que não aplicasse tarifas sobre produtos brasileiros, atribuindo a possível nova tarifa à postura do governo petista em relação aos Estados Unidos.

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