Adolescentes recorrem à inteligência artificial como apoio psicológico em desafio inédito para a medicina
O uso de inteligência artificial generativa como terapia está crescendo entre os jovens, mas traz riscos significativos.
O debate sobre o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens tem ganhado destaque, mas uma nova tendência vem se destacando: o uso de inteligência artificial generativa para aconselhamento psicológico. Essa prática, embora silenciosa, está se tornando comum entre os jovens, levantando questões sobre segurança e eficácia.
Uma pesquisa recente revelou que 13,1% dos jovens entre 12 e 21 anos utilizam IA generativa para buscar conselhos sobre saúde mental. O número é ainda mais alarmante na faixa etária de 18 a 21 anos, onde a taxa de uso chega a 22,2%. Além disso, 65,5% desses usuários interagem com a IA sobre seus sentimentos pelo menos uma vez por mês, indicando uma dependência crescente dessa tecnologia.
Os jovens parecem ter uma preferência significativa por essas interações, com 92,7% afirmando que os conselhos recebidos foram úteis. Essa aceitação pode ser atribuída a fatores práticos, como a disponibilidade 24 horas, a ausência de custos e a sensação de privacidade que a IA oferece, permitindo que os jovens se expressem sem medo de julgamentos.
Com esses benefícios, a inteligência artificial tem se tornado um recurso de apoio emocional para a Geração Z, servindo como um primeiro socorro em momentos de crise. No entanto, é crucial considerar que a eficácia de uma ferramenta não garante sua segurança clínica. A mistura de inteligência artificial com psiquiatria levanta preocupações sérias entre especialistas da área da saúde.
Instituições médicas como a American Psychological Association alertam sobre os riscos de confiar em IA para diagnosticar ou tratar transtornos mentais. Os modelos de linguagem são projetados para prever palavras e soarem empáticos, mas carecem de compreensão real e contexto clínico, o que os torna inadequados para lidar com crises sérias.
Pesquisadores da Universidade de Stanford realizaram testes com chatbots em simulações de consultas de saúde mental e descobriram que, em 1 a cada 5 casos, a IA forneceu conselhos inseguros ou incorretos. Esse dado alarmante evidencia um dilema significativo no campo da saúde mental, onde a IA preenche lacunas deixadas por um sistema de saúde mental sobrecarregado e inacessível para muitos jovens.
Diante dessa situação, a proibição do acesso a essas tecnologias não é uma solução viável. O verdadeiro desafio para empresas de tecnologia e agências de saúde será desenvolver mecanismos de segurança que garantam que os usuários sejam direcionados a profissionais humanos e serviços de emergência quando necessário.
