Estudo revela potencial de redução de 92,6% nas emissões da pecuária brasileira até 2050
Estudo revela potencial de descarbonização da pecuária brasileira até 2050.
O estudo “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil 2025 a 2050”, desenvolvido pelo FGV Agro, foi apresentado na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália.
O documento visa oferecer uma resposta científica e eficaz às pressões climáticas e de segurança alimentar enfrentadas pelo setor, sendo apresentado durante a Quarta Sessão do Subcomitê de Pecuária do Comitê de Agricultura (Coag).
A pesquisa aponta que a pecuária global está em uma encruzilhada, com aumento da demanda por proteína animal, enquanto os três principais blocos que detêm 70% do rebanho mundial enfrentam quedas significativas: o Mercosul apresenta o menor nível em seis anos, a América do Norte registra o menor número de rebanhos em 70 anos, e a União Europeia enfrenta a menor quantidade em três décadas.
Em contrapartida, o Brasil se destaca como o maior rebanho comercial do mundo, com 192,6 milhões de cabeças em 2024.
O estudo enfatiza que, em conformidade com o Código Florestal, apenas 30,2% do território brasileiro é utilizado para a agropecuária, preservando 66,3% da vegetação nativa, com 33,2% dessa área protegida por legislação dentro das propriedades rurais.
O relatório revela que o Brasil já consolidou um desacoplamento entre área utilizada e produção na pecuária de corte. Entre 2004 e 2024, a produção de carne bovina aumentou mais de 240%, enquanto a área total de pastagens reduziu em 11%, de 181 para 160 milhões de hectares.
Esse avanço resultou no efeito “poupa-terra”, que economizou 397 milhões de hectares que seriam necessários se o país mantivesse os mesmos índices de produtividade de 1990.
Camila Estevam, pesquisadora da FGV Agro, explicou que as melhorias de eficiência já em andamento podem reduzir as emissões absolutas em até 60% até 2050. A intensidade de carbono pode ser diminuída em 80% no cenário de referência, reduzindo de 80 kg para 16 kg de CO2 equivalente por quilo de carne.
Nos cenários mais ambiciosos, como o Plano ABC+, a intensidade pode cair para 92,6%, chegando a apenas 5 kg. Essa redução é atribuída ao carbono fixado no solo por meio da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e da recuperação de pastagens.
O estudo também indica que, no cenário mais otimista de mitigação, o Brasil poderá estabilizar sua produção em níveis elevados, alcançando 18,2 milhões de toneladas de carcaça em 2050 e reduzindo a área necessária para pastagens em mais 35%, sustentado por um aumento de 31% no peso médio da carcaça, que passará de 211 kg para 277 kg.
Validação comercial
A apresentação do estudo no Subcomitê de Pecuária do Coag serve como um selo de credibilidade para o setor exportador, reforçando a posição do produto brasileiro no mercado externo.
Fernando Zelner, diretor de sustentabilidade da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), destacou a importância do embasamento científico para a reputação internacional do agronegócio, enfatizando que isso é essencial para a exportação e a confiabilidade da carne brasileira.
Durante a apresentação, foi demonstrado como o Brasil pode atender à crescente demanda global por alimentos, ao mesmo tempo em que mitiga o impacto ambiental com o uso de tecnologias apropriadas.
A abertura das discussões contou com a presença de Thanawat Tiensin, diretor de Produção e Sanidade Animal da FAO, que ressaltou a necessidade de governança e colaboração entre diferentes setores.
Tiensin afirmou que cada país deve encontrar seu próprio caminho na produção sustentável e que a transformação desejada deve ser construída coletivamente, envolvendo agricultores, produtores, setor privado, academia e instituições de pesquisa.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, destacou que o debate na FAO confirma o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar e na sustentabilidade. Ele afirmou que o país pode avançar na
