Inteligência Artificial deve moldar competitividade das empresas até 2030, indica IDC
A inteligência artificial se torna essencial para a competitividade das empresas brasileiras.
A inteligência artificial deixou de ser uma mera experimentação nas empresas brasileiras e passou a ser reconhecida como um elemento central para a competitividade nos negócios. Essa transformação é evidenciada por uma pesquisa que analisou a adoção da tecnologia no Brasil, envolvendo 73 executivos de nível C de organizações com mais de mil colaboradores.
O levantamento revelou que 88% dos entrevistados acreditam que a inteligência artificial será o principal motor de competitividade até 2030. Além disso, 90% consideram essa tecnologia um diferencial estratégico para seus setores.
Os dados mostram que o mercado nacional está amadurecendo na adoção da inteligência artificial. Atualmente, 41% das empresas utilizam a tecnologia em iniciativas pontuais, enquanto 23% já a expandiram para diversas áreas. A expectativa é que, nos próximos dois anos, esse número chegue a 51%, indicando uma aceleração significativa no uso da IA.
O vice-presidente da área de Soluções Tecnológicas de uma grande empresa de tecnologia destacou que o cenário atual reflete uma mudança na postura das organizações em relação à tecnologia. A evolução da experimentação para a implementação em larga escala é notável, com 58% dos executivos considerando a IA generativa e agentes como tecnologias estratégicas para viabilizar as prioridades de negócios nos próximos anos.
Os impactos da adoção da inteligência artificial já são visíveis nos indicadores corporativos. As empresas que participaram da pesquisa relataram ganhos médios de 24,5% relacionados a iniciativas de IA. Entre os principais benefícios, destacam-se a melhoria na satisfação dos clientes, aumento da eficiência operacional, redução de riscos e aceleração no lançamento de produtos e serviços.
Além disso, 24% dos executivos notaram ganhos de produtividade entre os funcionários, enquanto 19,7% associaram a tecnologia ao crescimento das receitas. O avanço da inteligência artificial também está moldando os planos de investimento das empresas, com 28% dos recursos destinados a projetos de IA, previsão que deve aumentar para 45% até 2028.
O estudo também identificou tendências como o uso de agentes de IA, que são sistemas capazes de executar tarefas específicas de forma autônoma. Atualmente, 56% das empresas utilizam esses recursos, especialmente nas áreas de atendimento ao cliente, marketing e cibersegurança, com uma expectativa de adoção de 69% até 2028.
Entretanto, a crescente adoção da IA também traz preocupações relacionadas à segurança e governança. A pesquisa revelou que 96% dos executivos aumentaram os investimentos em proteção de dados e automação de segurança. A adoção responsável da tecnologia é vista como essencial para alcançar resultados sustentáveis.
Outro desafio notado é a escassez de profissionais qualificados, apontada por 30% dos executivos como uma barreira à adoção da tecnologia. Em resposta, 86% das empresas estão investindo na capacitação das equipes de TI, enquanto 71% ampliam programas de treinamento para outras áreas.
Um especialista do setor ressaltou que o Brasil está entrando em uma nova fase na adoção da inteligência artificial, onde o foco será escalar iniciativas que impactem diretamente os negócios. A integração de governança, segurança e ética é considerada crucial, e a capacitação da força de trabalho se torna um fator decisivo para capturar valor.
Os dados indicam que a inteligência artificial já ocupa uma posição estratégica nas empresas brasileiras, e a próxima etapa da transformação digital deverá combinar a expansão do uso da tecnologia, a capacitação profissional e o fortalecimento das práticas de governança para sustentar os ganhos de competitividade esperados pelos executivos.
