TCU revela que apenas 6% dos projetos hidroviários foram finalizados até 2020

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Estudo do TCU revela baixa conclusão de projetos hidroviários no Brasil.

Um estudo técnico do Tribunal de Contas da União (TCU) destacou que apenas 6% dos empreendimentos hidroviários previstos nos principais planos nacionais de desenvolvimento foram concluídos até 2020. Além disso, somente 3% dos investimentos anunciados se transformaram em obras entregues, evidenciando a ineficiência na execução dos projetos.

Segundo a análise, entre mais de 50 empreendimentos previstos na última década, apenas três foram finalizados. Essa realidade aponta para um baixo grau de execução física das intervenções planejadas, o que gera preocupações quanto à infraestrutura e ao desenvolvimento do setor hidroviário no Brasil.

Outro ponto alarmante é a subutilização do modal hidroviário. Embora o Brasil possua cerca de 63 mil quilômetros de rios potencialmente navegáveis, apenas 20 mil quilômetros são efetivamente utilizados para fins comerciais. Em 2017, esse modal representou apenas 5,58% da matriz de transporte de cargas, medida em toneladas-quilômetro útil (TKU).

Além da baixa entrega de obras, o TCU identificou fragilidades institucionais e de governança que dificultam a efetivação dos projetos. A ausência de uma estrutura normativa adequada, a falta de indicadores voltados a resultados e a coordenação interinstitucional fragmentada são fatores que contribuem para a descontinuidade das ações e a dificuldade em transformar o planejamento em entregas efetivas.

O tribunal também relacionou o baixo progresso físico à combinação de descontinuidades orçamentárias com falhas de planejamento e execução em empreendimentos complexos. Esse cenário propicia atrasos, paralisações e distorções nos cronogramas e custos estabelecidos.

Um exemplo de entrave socioambiental mencionado foi o processo de licenciamento do derrocamento do Pedral do Lourenço, no rio Tocantins, que se arrastou por cerca de uma década, com a Licença Prévia concedida em 2022 e a Licença de Instalação prevista para 2025.

Em resposta a essa situação, o TCU recomendou ao Ministério de Portos e Aeroportos a criação de instâncias colegiadas permanentes para coordenar o setor hidroviário, envolvendo órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Também foi sugerida a institucionalização da política hidroviária por meio de um instrumento normativo próprio, embora sem prazos ou quantificações de impactos diretos para os setores envolvidos.

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