Tren de Aragua: A Fação Venezuelana que Desafia Trump e Ameaça o Norte do Brasil

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Tensão na fronteira: o impacto do Tren de Aragua na segurança regional

No início de 2025, uma operação da polícia em Roraima resultou na descoberta de um cemitério clandestino em Boa Vista, revelando a gravidade da situação envolvendo o grupo criminoso Tren de Aragua. Foram encontrados nove corpos, a maioria de vítimas venezuelanas, em uma região de mata.

As investigações indicam que os homicídios foram cometidos por diferentes facções, e uma testemunha, que atuava como olheira do Tren de Aragua, relatou estar sendo perseguida pelo grupo, que também sequestrou sua família. Este caso é apenas um dos muitos que as autoridades de Roraima registraram, evidenciando a presença do Tren de Aragua em pelo menos quatro municípios do estado.

O Tren de Aragua, fundado em uma prisão na Venezuela, expandiu suas operações para outros países sul-americanos, como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile. A facção ganhou notoriedade quando, em 2022, foi classificada como organização terrorista pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, ao lado de facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O governo americano descreve o Tren de Aragua como um grupo “brutal”, envolvido em sequestros, extorsão, tráfico de pessoas, contrabando, mineração ilegal e tráfico de drogas. Além disso, há acusações de vínculos entre a organização e o governo de Nicolás Maduro, que enfrenta acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas.

A situação do Tren de Aragua se complicou em setembro de 2023, quando o governo venezuelano retomou o controle do Centro Penitenciário de Aragua, conhecido como Tocorón. Esta prisão, considerada o berço da facção, estava sob o domínio de líderes criminosos desde a década de 2010. A intervenção governamental foi vista como um golpe significativo para a organização, que perdeu apoio político e aliados no estado.

Apesar da intervenção, relatos indicam que líderes da facção foram alertados sobre a ação e conseguiram escapar com armas e dinheiro. Atualmente, a facção é liderada por Yohan José Romero, conhecido como Johan Petrica, que controla operações em Las Claritas, uma cidade fronteiriça com o Brasil. As ordens para os membros que atuam em território brasileiro são supostamente emitidas de lá.

O Tren de Aragua está presente em pelo menos seis estados brasileiros, com forte concentração na região Norte, especialmente em Roraima, onde se fortaleceu através do tráfico de drogas e armas, controle de prostituição, transporte de migrantes e extorsão. A jornalista Ronna Rísquez, autora de um livro sobre o grupo, aponta que a infiltração da facção no Brasil começou em 2016, quando os criminosos encontraram um ambiente mais favorável para expandir seus negócios.

A cidade de Pacaraima, na fronteira, serve como um ponto estratégico para a circulação de criminosos entre Brasil e Venezuela. A vegetação baixa na região facilita a transposição ilegal, permitindo o transporte de drogas, armas e pessoas. As rotas clandestinas, conhecidas como trochas, tornaram-se símbolos da penetração da criminalidade na área.

Além do tráfico de drogas, o Tren de Aragua também se envolve na venda de combustíveis, alimentos e equipamentos para garimpo, consolidando sua presença na mineração ilegal, que é uma fonte significativa de lucro para a facção no Brasil. A parceria com organizações criminosas brasileiras, como o PCC e o CV, se fortaleceu ao longo do tempo, principalmente com a presença de membros da facção nas prisões brasileiras.

A comunidade venezuelana no Brasil é a mais afetada pela violência do Tren de Aragua. Os imigrantes enfrentam tentativas de recrutamento e extorsão, especialmente em abrigos destinados a refugiados. Estima-se que mais de 1,4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil entre 2018 e 2025, e muitos membros de gangues se infiltraram entre eles.

Os relatos de abusos e extorsões nos abrigos são alarmantes. Criminosos exigem taxas para acesso a áreas dentro dos complexos e até mesmo para receber alimentos, além de recrutarem imigrantes para trabalhos forçados em garimpos sob ameaças. Mulheres são frequentemente enganadas com promessas de emprego e acabam sendo forçadas à prostituição.

As autoridades têm enfrent

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