Indústria de IA adota fontes serifadas para transmitir seriedade e profissionalismo
Avanços na IA levantam questões sobre autenticidade e design tipográfico.
Muitas mudanças ocorreram no campo da inteligência artificial (IA), levando a um cenário onde vídeos gerados por IA podem facilmente enganar os espectadores. Antigamente, a IA enfrentava dificuldades até mesmo para renderizar letras em imagens, mas agora evoluiu a ponto de transformar tipografias específicas em sinais de que o texto foi criado por máquinas, como é o caso das fontes serifadas.
Esse fenômeno é preocupante. Diversas indústrias, especialmente a de videogames, estão adotando a IA como uma solução rápida para acelerar o desenvolvimento de jogos, o que, em muitos casos, resulta na demissão de funcionários. As empresas parecem estar em uma corrida para ver quem consegue enganar melhor os consumidores, utilizando tecnologias que se autodenominam “artesanais” enquanto incorporam a IA em seus processos.
Jogos como ‘Stellar Blade 2’ e ‘1666 Amsterdam’ exemplificam essa tendência, mesmo enfrentando críticas que os rotulam como produtos de uma tecnologia “cancerígena”. Essa situação levanta questões sobre a autenticidade e a ética na criação de conteúdo digital.
A presença da IA se estende também à tipografia. O aprimoramento na renderização de texto pela IA é tão significativo que algumas empresas estão treinando suas ferramentas para utilizar fontes serifadas, que são caracterizadas por pequenos traços decorativos nas extremidades das letras. Essas fontes, como Times New Roman e Georgia, criam uma sensação mais acolhedora e humana, o que pode ser um atrativo para as empresas que buscam parecer mais acessíveis.
O designer Keya Vadgama notou um aumento no uso de fontes serifadas e até criou o termo “renascimento das serifas” para descrever essa tendência. Segundo ele, a escolha por essas fontes é uma tentativa de humanizar a tecnologia, que por natureza é fria e impessoal. As serifas, com sua estética mais clássica, ajudam a suavizar essa frieza, aproximando a criação da IA da caligrafia humana.
Essa tendência foi classificada sob o termo ‘tasteslop’, que se refere a uma estética que busca parecer sofisticada, mas que, na verdade, é composta por decisões de design superficiais, guiadas por algoritmos em vez de uma verdadeira intenção artística. Embora visualmente atraente, essa abordagem é uma máquina tentando imitar a humanidade, levantando questões sobre a verdadeira natureza do design e da criatividade.
As ferramentas de IA, como Claude, Manus e Runway, têm utilizado tipografia serifada em seus designs. Quando questionados sobre essa escolha, representantes de algumas dessas empresas afirmaram que a humanização do design não é uma prioridade, pois suas ferramentas são destinadas a interagir com pessoas.
Para os designers, isso representa um desafio. Com a IA imitando perfeitamente o estilo humano, muitos artistas sentem que seus trabalhos estão sendo plagiados e replicados sem a devida consideração. À medida que a IA absorve essa nova estética, os designers precisam encontrar novas maneiras de se destacar e demonstrar a habilidade artesanal em suas criações.
Além disso, a confusão entre o que é gerado por IA e o que é produzido por humanos está se intensificando. O Departamento de Estado dos EUA, por exemplo, adotou a fonte serifada Times New Roman, levantando suspeitas sobre a possibilidade de que suas comunicações visuais estejam sendo criadas por IA. Isso adiciona uma camada de complexidade à identificação de conteúdos gerados por máquinas.
Em textos, existem pistas que podem ajudar a discernir a origem da criação, como estruturas específicas e estilos de escrita. Entretanto, na geração de imagens, os sinais que antes permitiam distinguir o humano do artificial estão se tornando cada vez mais sutis. Agora, mais do que nunca, é necessário que os humanos desenvolvam novas habilidades para identificar a autenticidade nas criações digitais.
