Durigan afirma que inflação deve considerar novos hábitos de consumo
Ministro da Fazenda propõe aperfeiçoamento no cálculo da inflação sem alterar meta de 3%
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou a necessidade de aperfeiçoar o cálculo da inflação para melhor refletir os hábitos de consumo da população. Em sua análise, o índice atual não capta adequadamente o aumento da relevância de serviços digitais, como assinaturas de streaming e computação em nuvem.
Durante uma entrevista, Durigan manifestou uma visão positiva sobre as discussões em torno de possíveis mudanças metodológicas no índice, enfatizando que essas alterações devem ser guiadas por critérios técnicos e visando aprimorar a medição da inflação.
Ele observou que a composição da inflação apresenta defasagens, onde itens que outrora tinham maior peso no cálculo já não refletem a realidade atual. “O mundo mudou”, afirmou, referindo-se à necessidade de atualização do modelo utilizado.
O ministro também abordou a importância de não encarar as mudanças na metodologia de forma negativa, ressaltando que, desde que bem intencionadas, elas podem trazer benefícios. “Vejo com bons olhos. Não vejo mudança, não é ruim”, declarou.
Além disso, Durigan expressou apoio a melhorias no Boletim Focus, que é uma pesquisa semanal do Banco Central com projeções do mercado sobre inflação, juros e crescimento econômico. Ele acredita que a divulgação de mais informações e a inclusão de novos indicadores podem fortalecer a institucionalidade do país, desde que essas modificações sejam conduzidas pelo Banco Central e pelas instituições envolvidas.
“Se há hoje uma constatação de que o Focus pode melhorar no sentido de dar mais dados, mais transparência, incluir eventualmente outros índices, eu acho importante que a gente avance para isso”, afirmou o ministro.
Apesar de defender essas discussões, Durigan deixou claro que não pretende alterar a meta de inflação, atualmente fixada em 3%. Ele também mencionou a necessidade de melhorar a coordenação entre a política fiscal e a monetária, reafirmando seu compromisso em fortalecer o quadro fiscal do país: “A política fiscal tem impacto na monetária e o meu papel é fazer o melhor fiscal possível para o país”.
