Ex-secretária de Canoas e veterinárias são presas por suposta fraude em eutanásia de cães e gatos

Compartilhe essa Informação

Operação revela esquema de eutanásia fraudulenta em cães e gatos em Canoas.

A Polícia Civil de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, deflagrou a segunda fase de uma operação voltada ao combate de maus-tratos a animais, estelionato e associação criminosa. O foco das investigações recaiu sobre uma ex-secretária municipal voltada à proteção animal e duas veterinárias, acusadas de um esquema de eutanásias fraudulentas de cães e gatos.

As medidas tomadas na operação incluíram três prisões preventivas e doze mandados de busca e apreensão. Durante a ação, foram coletados evidências como celulares, computadores e, de forma alarmante, um cão debilitado, sem patas dianteiras, que estava sendo utilizado como “isca” para arrecadação de fundos nas redes sociais.

Conforme informações apuradas, muitos dos animais resgatados eram enviados para eutanásia mesmo quando havia tratamentos disponíveis. Essa prática levantou sérias questões sobre a ética e a legalidade dos procedimentos realizados por esses profissionais.

A primeira fase da operação, que ocorreu em setembro de 2025, já havia revelado indícios preocupantes, com a investigação focando na Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. Naquela ocasião, foram realizadas buscas em diversos locais, incluindo a sede da secretaria e residências das investigadas.

A análise dos dados coletados nas investigações anteriores apontou um número excessivo de eutanásias em relação ao perfil dos animais atendidos, além de um aumento significativo em comparação aos anos anteriores. O alerta inicial partiu de usuários do serviço e agentes da Secretaria, que notaram irregularidades nas operações.

Desde 2020, a “protetora” em questão havia realizado 549 campanhas de arrecadação, recebendo aproximadamente R$ 672,6 mil de quase 15 mil doadores. A Polícia Civil prossegue com as investigações para determinar o número total de animais que foram vítimas desse que tem sido denominado “esquema de eutanásia financeira”.

A delegada responsável pela investigação, Luciane Bertoletti, destacou a relevância de rastrear microchips dos animais desaparecidos a fim de identificar quantos deles foram sacrificados de forma indevida.

Na operação do dia 15 de junho, a Polícia Civil intensificou suas ações, aprofundando a análise das provas já obtidas, que demonstram uma ligação direta entre a principal investigada e as veterinárias envolvidas.

Um caso emblemático analisado revela que uma das veterinárias questionou a necessidade de um teste para confirmar a condição de um cão antes da eutanásia, mas a ex-secretária autorizou o procedimento sem a realização do exame, contrariando as práticas clínicas recomendadas.

Além disso, durante o mesmo período, a investigada solicitou apoio financeiro nas redes sociais para tratar do mesmo animal que, nos bastidores, autorizou a eutanásia. Essa contradição reforça as suspeitas de que havia uma arrecadação de recursos vinculada a uma narrativa pública de cuidados que não refletia a realidade.

A Polícia Civil enfatiza que a investigada utilizava uma fachada de proteção e cuidado, exibindo-se nas redes sociais com animais que “salvava”, enquanto continuava a operar o esquema de forma clandestina.

O Delegado Cristiano Reschke, da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas, sublinhou a gravidade dessa manipulação da confiança pública e a crueldade que permeava o esquema. Ele afirmou que se trata de uma exploração extrema da solidariedade, onde a dor dos animais era usada como uma ferramenta para enganar doadores, visando lucro em vez de cuidado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *