Leilões de propriedades rurais crescem no Brasil devido ao aumento da inadimplência no setor agrícola

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Inadimplência no setor agrícola brasileiro atinge níveis alarmantes, resultando em leilões crescentes de propriedades rurais.

Os leilões de propriedades rurais retomadas por credores estão aumentando rapidamente em todo o Brasil, à medida que a inadimplência no setor agrícola alcança quase 20% dos empréstimos em circulação.

A queda nos preços dos grãos, as altas taxas de juros e o aumento dos custos dos insumos, combinados com um clima cada vez mais imprevisível, têm contribuído para falências e perda de terras agrícolas, segundo análises de especialistas do setor.

O Rio Grande do Sul se destaca como um dos estados mais afetados pela inadimplência, especialmente após as enchentes devastadoras de 2024, que foram exacerbadas pelo fenômeno El Niño e pelas mudanças climáticas. Estudo recente indica que a situação financeira dos agricultores no estado se deteriorou significativamente.

As dívidas relacionadas ao crédito rural mais que quadruplicaram em dois anos, atingindo R$ 171,2 bilhões no início deste ano. A proporção de empréstimos em atraso no setor rural saltou de 5,5% para 19,6% no mesmo período.

“Este momento de endividamento no campo é um momento extremamente delicado”, afirmou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura do Brasil.

Venda de propriedades rurais

Os credores estão intensificando a execução de garantias, resultando em um aumento no número de propriedades agrícolas levadas a leilão. Dados mostram que o volume de leilões alcançou 14.219 propriedades em 2025, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior.

As propriedades retomadas e leiloadas por meio de processos extrajudiciais quase dobraram, totalizando 2.398 no último ano. A ampliação do acompanhamento por plataformas de leilão indica uma tendência de piora nas condições financeiras dos produtores.

“O volume de imóveis rurais aumentou bastante”, observou um especialista do setor, ressaltando que as regiões produtoras de soja e grãos foram as mais impactadas.

Os pedidos de recuperação judicial no setor agrícola cresceram 56% em 2025, após um aumento significativo em 2024, refletindo a gravidade da situação financeira enfrentada pelos agricultores.

Clima turbulento

Os produtores ainda lutam para se recuperar de uma série de choques climáticos recentes. Fatores como condições adversas, a queda nos preços das exportações agrícolas e o aumento da taxa básica de juros têm dificultado o pagamento das dívidas.

A perspectiva futura é preocupante, com taxas de juros elevadas e incertezas sobre os preços das commodities. A possibilidade de novos choques climáticos é considerada alta.

Um agricultor do Rio Grande do Sul, que preferiu não se identificar, relatou dificuldades enfrentadas devido a juros “impagáveis” e perdas causadas por eventos climáticos extremos, resultando na perda de mais da metade de sua propriedade.

Ele destacou que as mudanças climáticas estão impactando severamente a produção, tornando a agricultura cada vez mais desafiadora. “O fator clima é o que nos colocou nessa posição”, concluiu.

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