Mercado de SaaS na América Latina deve alcançar US$ 46 bilhões até 2027, com Brasil à frente do crescimento

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Mercado de SaaS na América Latina deve alcançar US$ 46 bilhões até 2027.

O mercado de Software como Serviço (SaaS) na América Latina está projetado para movimentar US$ 46 bilhões até 2027. Essa estimativa revela a crescente importância do setor na região, com o Brasil sendo responsável por cerca de 48% desse montante, consolidando-se como um player central na expansão do mercado.

A pesquisa indica que o crescimento do setor será impulsionado pela demanda interna, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) estimada em 15%, superando a média global de 11% ao ano.

O Brasil também se destaca na atividade de fusões e aquisições no segmento de software, concentrando aproximadamente 64% das transações de SaaS na América Latina. Em 2025, foram registradas 263 operações de M&A, representando um aumento de 6% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 2,1 bilhões em movimentação financeira.

O mercado brasileiro está passando por uma nova fase de maturidade, influenciada pela crescente adoção da inteligência artificial, as expectativas em torno da reforma tributária e um ambiente de investimentos mais seletivo. Esses fatores estão moldando os critérios de avaliação das empresas e seus múltiplos de mercado.

Uma das principais transformações identificadas é a incorporação da inteligência artificial nas plataformas de software. O futuro crescimento do setor não dependerá apenas da substituição do modelo SaaS, mas da capacidade das empresas de integrar a IA de forma estratégica em seus produtos e operações.

Bruna Vianna, sócia-fundadora da Acorn, destaca que há uma divisão crescente entre as empresas que utilizam inteligência artificial para aumentar a retenção, eficiência e crescimento, e aquelas que podem enfrentar compressão de múltiplos.

Empresas que se classificam como AI-native, ou que já incorporaram funcionalidades de inteligência artificial, estão conquistando avaliações superiores em transações recentes. Este diferencial pode resultar em um acréscimo significativo nos múltiplos de ARR (Annual Recurring Revenue).

Philippe Mari, sócio-fundador da Acorn, aponta que entre 25% e 30% das empresas em sua base de dados já iniciaram ou estão se preparando para implementar estratégias de integração com inteligência artificial, o que pode levar a avaliações acima da média do mercado nos próximos anos.

A pesquisa sugere uma mudança nos fatores que determinarão a competitividade das empresas de software. A combinação de dados proprietários, inteligência artificial e profunda integração aos processos dos clientes se tornará mais relevante do que a escala isoladamente.

Mari explica que a combinação de dados verticais proprietários com workflows críticos cria uma vantagem competitiva defensável, difícil de replicar por modelos gerais.

As projeções da Acorn indicam uma transformação gradual, mas significativa, do setor ao longo da próxima década. Até 2027, espera-se que a adoção de agentes de IA reduza em até 80% a necessidade de licenças tradicionais de software, alterando a dinâmica de geração de valor em várias categorias de soluções empresariais.

Nesse novo cenário, ativos que sustentam crescimento, retenção de clientes e diferenciação tecnológica ganharão relevância, enquanto empresas com modelos facilmente substituíveis enfrentarão maior pressão sobre suas avaliações.

Mari também ressalta que empresas atuando em verticais com barreiras regulatórias, dados proprietários e workflows críticos terão vantagens competitivas adicionais, criando um ambiente propício para operações estratégicas de M&A voltadas à monetização de valor e à expansão de mercado.

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