China apresenta proposta audaciosa de governança global com apoio à ONU e críticas contundentes ao unilateralismo

Compartilhe essa Informação

China propõe reforma da ONU em documento que critica unilateralismo e protecionismo.

O Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China divulgou um documento intitulado “Construir um Sistema de Governança Global Mais Justo e Razoável: Conceitos, Princípios e Ações”. O texto apresenta uma análise da situação internacional e as diretrizes de Pequim para a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU).

O manifesto destaca que o cenário global atual é crítico e requer mudanças urgentes. Afirma que “a embarcação da civilização humana entrou em águas perigosas, repletas de recifes e tempestades”. Nesse contexto, enfatiza a necessidade de revitalizar o multilateralismo e proteger as regras internacionais.

O documento também menciona que, em 2025, o número de conflitos armados atingiu um recorde desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com mais de 50 países envolvidos. Em meio ao aumento dos gastos militares globais e ao “ressurgimento do militarismo”, o texto alerta sobre os riscos da proliferação nuclear em um momento de fragilidade na segurança internacional.

Defesa da ONU

Um dos principais pontos abordados no documento é a defesa do papel central da ONU. O texto reitera que o sistema internacional desempenha uma função insubstituível, mas reconhece que o modelo atual apresenta desajustes e incompatibilidades.

Segundo o documento, essa paralisia institucional é atribuída à conduta de grandes potências que frequentemente abandonam tratados e obstruem decisões em órgãos como o Conselho de Segurança e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Apesar disso, a China não defende uma ruptura total com a ONU.

“É preciso defender inabalavelmente o sistema internacional centrado nas Nações Unidas (…) em vez de começar do zero com outro sistema.”

O governo chinês argumenta que, embora o sistema de governança atual não seja perfeito, o caminho correto é reformá-lo e aperfeiçoá-lo, corrigindo as lacunas existentes. O documento ressalta que as injustiças atuais não decorrem da obsolescência da Carta da ONU, mas sim da falta de uma implementação eficaz.

Fortalecimento do Sul Global

Outro aspecto central do documento é o compromisso da China com os países em desenvolvimento. Pequim argumenta que a monopolização dos assuntos internacionais por uma minoria se tornou insustentável e que as injustiças históricas precisam ser corrigidas de forma definitiva.

O texto destaca que o Sul Global está trazendo novas perspectivas para a governança global por meio de blocos e fóruns, como a expansão do BRICS e o papel da Organização para Cooperação de Xangai (OCX).

  • 🔎 Sul Global refere-se a países emergentes com economias em desenvolvimento, historicamente fora do eixo de poder das grandes potências. Exemplos incluem Brasil, Argentina, África do Sul, Índia, China, Irã e Arábia Saudita.

Para guiar essa reestruturação, o documento propõe cinco conceitos centrais: igualdade soberana, respeito ao Estado de Direito internacional, prática do multilateralismo, centralidade nas pessoas e foco na ação. O texto reforça que as nações devem negociar em termos de igualdade, priorizando o tratamento igualitário e o respeito mútuo nas discussões globais.

Críticas ao protecionismo

Em um tom de manifesto, a China critica posturas isolacionistas e barreiras comerciais, denunciando o avanço do protecionismo e a imposição arbitrária de tarifas. O documento acusa certos países de usarem o conceito de segurança nacional para reprimir o desenvolvimento tecnológico de outras nações.

Além disso, classifica o unilateralismo e o hegemonismo como fontes de caos que comprometem as normas internacionais básicas.

“Países isolados usam o tamanho para intimidar os menores e a força para oprimir os fracos (…) praticam o princípio de ‘meu país primeiro’ e adotam padrões duplos, desafiando a justiça internacional por interesses egoístas.”

O manifesto também menciona que interesses privados têm bloqueado reformas de cotas e direitos de voto no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial, resultando em atrasos significativos. O documento introduz a urgência de

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *