Trump avisa: acordo com Irã pode ser desfeito e bombas podem voltar a cair
Questões pendentes no acordo entre EUA e Irã geram incertezas diplomáticas.
O recente acordo entre Estados Unidos e Irã apresenta diversas questões ainda não resolvidas, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano e à navegação no Estreito de Ormuz. O cessar-fogo estabelecido deverá durar enquanto as duas partes discutem esses pontos cruciais.
Um dos principais tópicos a serem esclarecidos é o futuro do programa nuclear do Irã, que continua a ser um ponto de discórdia. O acordo prevê que os negociadores de ambos os lados devem chegar a um consenso em até 60 dias. O governo dos EUA exige que o Irã encerre completamente suas atividades nucleares, alegando que elas têm o potencial de serem utilizadas para a fabricação de armas nucleares.
O presidente Trump indicou que sua equipe de negociação deseja que uma entidade independente inspecione o Irã para avaliar o material nuclear e que todo o urânio enriquecido seja enviado para fora do país, possivelmente para a Rússia. No entanto, o Irã nega essas alegações e afirma que seu programa é destinado apenas a fins civis, o que torna as negociações bastante delicadas.
Outro ponto de tensão é o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio de petróleo, onde cerca de 20% do petróleo mundial transita. Tanto os EUA quanto o Irã afirmaram que o estreito será reaberto imediatamente. Trump já ordenou o levantamento do bloqueio naval imposto pela Marinha dos EUA, que restringia a passagem de navios em direção aos portos iranianos.
Entretanto, a situação no estreito permanece incerta, uma vez que o Irã, que controla a movimentação de embarcações na região, não confirmou a reabertura. Além disso, o Ministério da Defesa iraniano anunciou que começará a cobrar uma “taxa de serviço” dos navios que cruzarem o estreito, algo que contradiz as declarações de Trump sobre a proibição de pedágios.
As sanções econômicas também são uma questão crítica. O Irã exige a suspensão das sanções sobre a venda de petróleo e o acesso aos recursos financeiros congelados. Embora os EUA tenham concordado em aliviar as sanções, isso será feito gradualmente e condicionado ao cumprimento do acordo, o que pode prolongar a recuperação econômica do Irã, já severamente impactada pelo conflito.
Além disso, o acordo menciona a necessidade de um plano de reconstrução para o Irã, avaliado em pelo menos US$ 300 bilhões, para compensar os danos causados pela guerra. No entanto, Washington não se manifestou sobre essa demanda.
Por último, o conflito e a ocupação no Líbano representam outro ponto de divergência. O primeiro-ministro do Paquistão anunciou que o acordo inclui o fim das operações militares na região, o que é uma exigência do Irã. No entanto, Israel ainda mantém tropas em áreas ocupadas no Líbano, e não está claro se haverá concessões militares nesse aspecto.
