Principais Momentos dos 25 Anos de Negociações do Acordo UE-Mercosul em Infográfico

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União Europeia aprova acordo histórico com o Mercosul

O tratado entre a União Europeia e o Mercosul, que visa criar a maior área de livre comércio do mundo, foi aprovado provisoriamente, mas ainda necessita da ratificação pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos.

Esse acordo é fruto de mais de 25 anos de negociações, que foram influenciadas por diversas mudanças políticas, econômicas e estratégicas nas duas regiões. O processo começou em 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção, que estabeleceu o Mercosul, composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Desde então, a União Europeia reconheceu a importância do bloco sul-americano como um parceiro estratégico.

Em 1994, a ideia de um acordo formal começou a ganhar força, especialmente em um contexto em que a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), proposta pelos Estados Unidos, estava em destaque. A União Europeia buscava expandir sua influência na América do Sul e contrabalançar o poder dos EUA na região.

O primeiro passo formal ocorreu em 1995, quando os blocos assinaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, que estabeleceu bases políticas e econômicas, além de mecanismos para diálogo e cooperação técnica. As negociações comerciais iniciaram oficialmente em 1999, organizadas em três frentes: diálogo político, cooperação e livre comércio.

Desde o início, as negociações enfrentaram desafios, principalmente em relação aos subsídios agrícolas europeus e à abertura do setor industrial do Mercosul. Em 2004, as discussões atingiram um ponto crítico, com críticas mútuas sobre o acesso ao mercado agrícola europeu e a resistência dos países sul-americanos em abrir suas indústrias.

Entre 2004 e 2010, o processo ficou praticamente paralisado devido a divergências internas e políticas protecionistas na Europa, além de mudanças no cenário político da América do Sul. Em 2016, as conversas foram retomadas com um novo impulso, impulsionadas pelo interesse europeu em acordos comerciais e transformações no comércio global.

Na nova fase, foram estabelecidos capítulos sobre tarifas, serviços, compras públicas, regras de origem e propriedade intelectual. Em 2019, os blocos anunciaram a conclusão técnica do acordo político, que previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral.

Entretanto, críticas relacionadas a questões ambientais e resistências políticas em alguns países europeus dificultaram a ratificação do acordo. Entre 2020 e 2022, a União Europeia exigiu compromissos ambientais mais rigorosos, especialmente no combate ao desmatamento e na implementação do Acordo de Paris.

Em 2023, foi apresentado um instrumento ambiental adicional, que o Mercosul aceitou em parte, mas criticou a previsão de sanções unilaterais. Após uma revisão jurídica e articulação política, o texto final foi consolidado em 2024. Contudo, a aprovação em 2025 enfrentou resistência de países europeus com setores agrícolas fortes, como França, Polônia e Irlanda.

Finalmente, em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a assinatura formal e a criação de um novo marco comercial entre as duas regiões.

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