Café solúvel perde isenção de tarifa e setor busca revisão nos EUA alegando falta de lógica

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Brasil defende café solúvel em audiência sobre tarifas nos EUA.

A indústria brasileira de café solúvel se prepara para uma audiência pública nos Estados Unidos, marcada para o dia 6 de julho, onde irá contestar a nova rodada de tarifas propostas. A medida, que pode impactar significativamente o comércio entre os países, gera preocupações no setor cafeeiro nacional.

O café solúvel é o único tipo de café que não foi incluído nas isenções das novas tarifas, uma situação que se repete desde o ano anterior. Essa exclusão levanta questões sobre a classificação dos produtos e as possíveis falhas no processo de isenção.

Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), afirmou que a entidade participará da audiência e enviará manifestações por escrito. A expectativa é que a audiência ajude a esclarecer a importância do café solúvel brasileiro para a economia americana.

“O café solúvel aromatizado foi beneficiado pelas isenções, enquanto a versão tradicional não. Acreditamos que possa ter ocorrido alguma falha na classificação dos códigos, porque não faz sentido”, declarou Lima.

Outra hipótese levantada pela Abics sugere que os EUA podem estar tentando reindustrializar a produção de café solúvel. No entanto, mesmo que decidam aumentar a produção local, ainda precisariam importar a matéria-prima, uma vez que a instalação de uma nova indústria levaria anos.

Lima também destacou que a situação é parte de um cenário mais complexo, onde os Estados Unidos buscam um bom acordo em áreas como minerais críticos e tecnologia. A audiência se torna, portanto, uma oportunidade para discutir não apenas as tarifas, mas o impacto mais amplo na relação comercial entre os países.

Argumentos a serem apresentados na audiência

Durante a audiência, um dos principais argumentos será demonstrar o impacto das tarifas na inflação do café nos EUA e a relevância do café solúvel brasileiro para o mercado americano. Dados preliminares indicam que os EUA produzem apenas 6% do café solúvel que consomem.

“Em 2024, o Brasil foi responsável por 37% do volume de café solúvel importado pelos americanos”, afirmou Lima, ressaltando a dependência do mercado americano em relação ao produto brasileiro.

Os dados que serão apresentados na audiência estão sendo validados e farão parte de um documento que a Abics enviará às autoridades americanas até 1º de julho, prazo estipulado para manifestações sobre as tarifas.

Na audiência, cada representante terá apenas três minutos para expor suas ideias, o que torna fundamental a clareza e a objetividade na apresentação. Lima comentou que, historicamente, o café não é um produto que gera muitas perguntas durante essas audiências, o que pode facilitar a argumentação do setor.

“Estaremos presentes para garantir que a importância do café solúvel brasileiro seja reconhecida”, finalizou Lima.

Além das questões tarifárias, dados recentes indicam que a inflação do café solúvel nos EUA aumentou 24% em um ano, o que reforça a urgência de uma solução favorável para o setor. Caso as novas tarifas sejam implementadas, o café solúvel brasileiro pode ser taxado em 37,5%, o que representaria um novo golpe para a indústria.

O café solúvel não é apenas um produto de exportação; ele também gera empregos nos Estados Unidos, onde ocorre a maior parte do envasamento e distribuição. Essa dinâmica é crucial para a economia americana e deve ser enfatizada durante a audiência.

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