Presidente da Câmara de Caxias anuncia desembarque do governo Adiló na abertura do Ano Legislativo

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Wagner Petrini afirma que decisão busca neutralidade institucional, mas bastidores apontam insatisfação com falta de avanços em projetos do Executivo

Um dos fatos políticos que mais chamaram a atenção na primeira sessão ordinária de 2026 da Câmara Municipal de Caxias do Sul foi o anúncio do presidente do Legislativo, vereador Wagner Petrini (PSB), de que está deixando a base do governo municipal comandado pelo prefeito Adiló Didomenico.

Até o fim de 2025, Petrini exercia a função de vice-líder do governo na Câmara, posição que abandonou oficialmente com o início do novo ano legislativo. O anúncio foi feito da tribuna e gerou repercussão imediata entre vereadores e nos bastidores da política local.

Justificativa oficial: neutralidade institucional

Ao explicar sua decisão, Petrini afirmou que o afastamento do governo ocorre por entender que a presidência da Câmara exige uma postura neutra, em respeito à separação e à harmonia entre os Poderes. Segundo ele, a função institucional que exercerá ao longo de 2026 demanda equilíbrio e independência em relação ao Executivo.

Embora a justificativa seja considerada plausível do ponto de vista institucional, não existe obrigação regimental ou legal que impeça o presidente da Câmara de manter posicionamentos políticos claros ou alinhamento com o governo.

Bastidores revelam incômodo com projetos travados

Nos bastidores, entretanto, a decisão teria outra motivação relevante. Aliados apontam o descontentamento de Petrini com a falta de avanços em projetos do Executivo que contaram com seu apoio, especialmente o Parque Automotivo, considerado estratégico para o desenvolvimento econômico do município.

No ano passado, houve a alteração da área destinada à implantação do complexo, mas, desde então, o projeto avança lentamente. A avaliação interna é de que sucessivos entraves administrativos e políticos têm impedido o andamento efetivo da proposta.

Cargos colocados à disposição e futuro em aberto

Após a repercussão do anúncio, Petrini retornou à tribuna para esclarecer sua posição. O presidente da Câmara afirmou que não descarta, no futuro, retornar à base do governo ou, eventualmente, assumir uma postura de oposição, deixando o cenário em aberto.

Ele também informou que os cargos ocupados por indicações suas no governo municipal foram colocados à disposição do prefeito, reforçando o gesto de distanciamento político.

PSB segue no governo

Apesar do movimento de Petrini, o PSB permanece oficialmente na base do governo. O vereador Zé Dambrós, colega de bancada, foi anunciado como o novo vice-líder do governo na Câmara. O prefeito Adiló Didomenico justificou a escolha pelo conhecimento de Dambrós sobre os “meandros do município” e por seu perfil combativo.

Outra mudança relevante foi na liderança do governo. Daniel Santos (Republicanos) deixa a função, que passa a ser exercida por Calebe Garbin (PP). A alteração ocorre em razão do retorno de João Uez (Republicanos) à Câmara, em março, na vaga de Santos. Segundo o Executivo, Calebe foi escolhido pelo alinhamento político com o governo.

Ano legislativo promete tensão

Embora o prefeito não tenha comentado publicamente se espera um ano mais tranquilo na Câmara sob a presidência de Petrini, o cenário político indica que a relação entre Legislativo e Executivo tende a ser mais exigente e menos previsível em 2026.

Foto: Wagner Petrini/ Redes Sociais

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