Novas licenças para empreendimentos podem injetar mais de R$ 10 bilhões na economia do Rio Grande do Sul

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Dois novos empreendimentos em Rio Grande do Sul prometem investimentos bilionários e geração de empregos.

O governo do Rio Grande do Sul concedeu, em 18 de junho de 2026, duas licenças ambientais essenciais para a instalação de empreendimentos considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico do estado. Os investimentos diretos superam R$ 2,6 bilhões e possuem potencial para gerar um impacto econômico adicional de R$ 10 bilhões, contribuindo para o fortalecimento das cadeias produtivas e a competitividade logística regional, além de prometerem a criação de novos postos de trabalho.

Um dos projetos é o complexo agroindustrial da Soli3 União Central Cooperativa, localizado em Cruz Alta, na Região Noroeste. O outro é o Terminal Rio Grande do Sul S.A., que se encontra na cidade de Rio Grande, no Litoral Sul do estado.

A Soli3, que é um consórcio formado pelas cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal, recebeu a Licença de Instalação para o seu novo complexo agroindustrial. Anunciado durante a Expodireto Cotrijal 2026, o investimento está estimado em R$ 1,25 bilhão, representando um dos mais significativos aportes recentes no setor de biocombustíveis no estado.

As obras do complexo devem ser concluídas em um prazo de 22 meses e visam o processamento de soja e a produção de biocombustíveis. Quando o empreendimento estiver operante, espera-se que gere cerca de 250 empregos diretos. A planta terá uma capacidade mensal de produção de 18 mil toneladas de biodiesel, 65,6 mil toneladas de farelo de soja e 2.370 toneladas de glicerina.

Os subprodutos derivados desse processo serão integrados a diversas cadeias produtivas, promovendo uma economia circular. Por exemplo, a casca de soja será utilizada na produção de ração animal ou retornará ao farelo; o ácido graxo servirá como insumo para indústrias de nutrição animal e biodiesel; e a borra será reaproveitada na fabricação de sabões e como combustível renovável.

Quanto ao Terminal Rio Grande do Sul S.A., a Licença Prévia concedida para o projeto, que ocupa uma área de quase 4,8 mil hectares, confirma a viabilidade ambiental do empreendimento. O investimento previsto é de R$ 1,36 bilhão e inclui uma infraestrutura moderna dedicada à movimentação de cargas gerais e celulose.

Este terminal é considerado uma estrutura estratégica para o escoamento da produção celulósica vinculada ao Projeto Natureza, que é um dos maiores investimentos privados na história do Rio Grande do Sul. Durante a audiência pública do projeto, foram discutidos possíveis benefícios econômicos diretos estimados em R$ 8,8 bilhões, destacando o potencial de desenvolvimento para a região Sul do estado.

Entre as estruturas planejadas estão um terminal coberto do tipo All Weather Terminal (AWT), que permitirá a operação simultânea de duas embarcações, e ainda píeres de atracação, armazéns, áreas operacionais, instalações administrativas e sistemas de apoio logístico.

Um aspecto inovador do terminal é seu compromisso com a sustentabilidade. A operação será totalmente voltada para o transporte marítimo, o que ajudará a reduzir a circulação de cargas nas rodovias, diminuindo assim as emissões de gases de efeito estufa. O projeto também contempla a eletrificação das rotas internas de transporte de cargas.

Em conformidade com a legislação federal, o empreendimento deverá investir cerca de R$ 6,8 milhões em medidas compensatórias, focadas no fortalecimento de unidades de conservação e projetos ambientais.

A cerimônia de entrega das licenças ocorreu no Palácio Piratini e contou com a presença de autoridades estaduais e representantes dos empreendimentos. O governador Eduardo Leite enfatizou que esses investimentos evidenciam a disposição do Rio Grande do Sul para crescer de maneira responsável e sustentável, criando condições favoráveis para atrair novos empreendimentos e gerar empregos e oportunidades para a população.

A titular da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Marjorie Kauffmann, complementou que esses projetos demonstram a capacidade do estado em atrair investimentos de grande porte, que estão em harmonia com as diretrizes de sustentabilidade. Já Gabriel Ritter, presidente em exercício da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), ressaltou o compromisso da fundação com um licenciamento ambiental qualificado e alinhado às melhores práticas de sustentabilidade.

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