Tarifa de Trump: Associação de Pescados dos EUA defende produto brasileiro em audiência

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Setor de pescados brasileiro se mobiliza contra novas tarifas nos EUA

O setor de pescados brasileiro enfrenta um novo desafio com a possibilidade de tarifas de até 37,5% sobre suas exportações para os Estados Unidos. Essa situação será discutida em uma audiência pública marcada para o próximo dia 6.

A National Fisheries Institute (NFI), a principal associação de pescados dos EUA, defenderá os interesses do produto nacional, segundo Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca). A estratégia de defesa é semelhante à apresentada no ano anterior, quando o setor já lidou com tarifas de 50%.

Lobo destaca que o argumento central será a afirmação de que o Brasil não compete diretamente com os EUA, já que exporta produtos que não são produzidos internamente, como a tilápia. Ele ressalta que o Brasil atua como um fornecedor de segurança alimentar para os americanos, que têm uma grande dependência da China nesse setor.

Além da questão competitiva, a apresentação também enfatizará os rigorosos protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais que o Brasil adota. Lobo afirma que não há trabalho infantil ou escravo na produção brasileira e que a pesca é predominantemente artesanal, realizada por pequenas embarcações familiares, resultando em baixo impacto ambiental.

Recentemente, Bob DeHaan, diretor jurídico da NFI, pediu ao governo americano que não imponha tarifas sobre a importação de pescados, argumentando que isso poderia aumentar a inflação para os consumidores dos EUA. Ele também alertou que os estoques pesqueiros americanos estão próximos do limite sustentável e que muitos produtos não têm substitutos disponíveis no mercado interno.

Atualmente, o Brasil não é o principal fornecedor de pescados para os Estados Unidos, com a China liderando esse mercado. Os produtos brasileiros representam aproximadamente 5% das importações americanas de pescado, embora as vendas tenham crescido nos últimos anos, à medida que os importadores tentam reduzir a dependência da China.

A indústria brasileira de pescados é fortemente dependente do mercado americano, com 90% da tilápia exportada indo para os EUA. No entanto, a Abipesca está buscando diversificar seus mercados, com novas exportações para países asiáticos, como Singapura e Taiwan, e no Oriente Médio, incluindo os Emirados Árabes Unidos e o Catar.

Apesar dos esforços de diversificação, Lobo reconhece que os novos mercados ainda não compensam a diminuição das exportações para os Estados Unidos. Em 2025, o Brasil exportou US$ 370 milhões em pescados para os EUA, uma queda em relação ao ano anterior. As expectativas para 2026 eram de alcançar US$ 500 milhões, mas as novas tarifas podem frustrar esses planos.

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