Tragédia no Congo: Bebê de 6 meses é enterrada após morte por ebola em orfanato; surto já ultrapassa 900 casos

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Funeral de bebê vítima de Ebola em Bunia destaca desafios no combate ao surto na RDC

Na última sexta-feira (19), a cidade de Bunia, no leste da República Democrática do Congo, foi palco do enterro de uma bebê de apenas 6 meses, que faleceu em decorrência do Ebola. A criança, identificada como a terceira vítima da doença em um orfanato da região de Ituri, representa o atual epicentro do maior surto do vírus registrado no país nos últimos anos.

Durante a cerimônia, o caixão da criança foi transportado por profissionais de saúde equipados com máscaras, luvas e outros dispositivos de proteção, seguindo rigorosos protocolos de segurança para evitar novas transmissões. Apenas agentes treinados tiveram permissão para manusear o corpo da bebê, refletindo a seriedade da situação.

“É um sentimento de tristeza porque perdemos uma das nossas, uma filha da Igreja”, declarou um padre que participou do funeral.

A situação ilustra os desafios enfrentados pelas autoridades de saúde, que precisam equilibrar medidas de controle rigorosas com as tradições locais de despedida. Em surtos anteriores, funerais e sepultamentos foram identificados como principais focos de transmissão do vírus, complicando ainda mais os esforços de contenção.

De acordo com informações recentes, o surto atual já contabiliza 933 casos confirmados e 245 mortes, com a maioria dos registros concentrados na província de Ituri. Além disso, os casos se estendem a províncias vizinhas, como Kivu do Norte e Kivu do Sul.

O vírus também ultrapassou as fronteiras da República Democrática do Congo, com Uganda confirmando 19 infecções e duas mortes relacionadas ao surto. Este cenário alarmante destaca a necessidade urgente de medidas eficazes de controle e prevenção.

Variante sem vacina aprovada

O surto atual é causado pela variante Bundibugyo do Ebola, para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados. Esta variante apresenta desafios adicionais em comparação com a cepa Zaire, que é alvo das vacinas disponíveis e responsável pela maioria dos surtos anteriores no Congo.

Especialistas afirmam que a falta de imunizantes e tratamentos específicos dificultou a resposta inicial ao surto, contribuindo para sua expansão. Dados indicam que cerca de 35 mil pessoas podem ter sido expostas ao vírus e estão sob monitoramento.

Além das dificuldades médicas, a resposta ao surto enfrenta obstáculos logísticos e sociais. Em algumas comunidades, há resistência às medidas de isolamento e protocolos de sepultamento seguro. Profissionais de saúde também relatam escassez de equipamentos de proteção, como máscaras e luvas.

Em uma recente visita a Bunia, o ministro da Saúde anunciou que todos os serviços de saúde na província de Ituri serão gratuitos e que os bônus dos profissionais da área serão duplicados para fortalecer a resposta à emergência. Apesar da preocupação com a velocidade de propagação, o surto atual ainda está distante da escala da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, que resultou em mais de 11 mil mortes.

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