Colapso do mercado de memória traz solução inesperada para usuários com chips chineses
Indústria de memória DRAM enfrenta mudanças drásticas impulsionadas pela demanda por inteligência artificial.
A indústria de memória DRAM está em meio a uma transformação estrutural significativa. Até outubro de 2025, os preços dos chips de memória mantiveram uma evolução relativamente estável, mas após esse período, observaram-se aumentos acentuados que persistem até os dias atuais.
Estudos indicam que os preços da DRAM convencional devem aumentar entre 58% e 63% trimestre a trimestre até o final do segundo trimestre de 2026. A principal força por trás dessa escalada é a crescente demanda impulsionada pela inteligência artificial (IA).
Os três maiores fabricantes de chips de memória do mundo — SK Hynix, Samsung Electronics e Micron Technology — mudaram cerca de 70% de suas linhas de produção para focar na memória de alta largura de banda (HBM), em resposta à demanda voraz dos data centers voltados para IA.
Essa mudança teve efeitos imediatos: as memórias DDR4 e DDR5, que são amplamente utilizadas no consumo, tornaram-se rapidamente escassas, resultando em um aumento significativo de preços. De acordo com análises, a memória RAM passou a representar 23% do custo total de um laptop, um aumento em relação aos 16% anteriores.
A tendência de alta nos preços pode continuar nos próximos meses. Contudo, os usuários podem contar com a atuação estabilizadora dos fabricantes chineses, que têm se mostrado resilientes no mercado atual.
Oportunidades para fabricantes chineses no cenário global
A Yangtze Memory Technologies Co. (YMTC) é uma das principais fabricantes de chips NAND na China, com uma participação de mercado global de aproximadamente 13%, posicionando-a como uma forte concorrente de gigantes como Samsung, SK Hynix, Micron, Kioxia e SanDisk.
A presença da YMTC no mercado é ainda mais significativa, especialmente considerando que as sanções dos EUA limitam a venda de circuitos integrados avançados por fabricantes americanos e sul-coreanos para clientes chineses.
Por sua vez, a Changxin Memory Technologies (CXMT) tem se destacado na produção de chips de memória, adotando uma estratégia de preços agressiva para competir nesse mercado promissor.
A CXMT aumentou sua capacidade de produção de chips DRAM em quase cinco vezes nos últimos quatro anos, o que elevou sua participação no mercado global para um respeitável 7,6%.
Enquanto grandes fabricantes internacionais se beneficiam da demanda dos data centers e da ascensão da IA, os fabricantes chineses estão priorizando o fornecimento para empresas locais. Isso resulta em uma estabilidade nos preços e na oferta de chips de memória e NAND na China, longe dos altos custos impostos pelos principais fabricantes globais.
Recentemente, marcas chinesas de módulos de memória como Gloway e KingBank lançaram novos módulos DDR5, utilizando chips de memória SDRAM fabricados na China. Com uma configuração padrão de oito chips por módulo, essas empresas conseguem produzir módulos de 24 GB e agrupá-los em kits de dois ou quatro módulos, alcançando capacidades de 48 GB ou 96 GB.
Os chips de memória chineses, especialmente os da CXMT, já estão começando a ser utilizados fora da China. A Corsair já incorporou esses chips em sua linha Vengeance, enquanto HP e Dell estão em processo de certificação para módulos com chips CXMT em seus produtos. Isso representa um avanço positivo para os consumidores.
No entanto, permanece incerto se o uso de DRAM CXMT se tornará amplamente adotado em resposta à escassez provocada pela IA. O mercado está em busca de novos participantes, e se a YMTC e a CXMT conseguirem preencher as lacunas deixadas por Samsung, Micron e SK Hynix, sua entrada será bem-vinda.
