Lula deve confirmar Mello e Cavalcanti como novos diretores do BC enfrentando resistência do mercado
Indicações para o Banco Central ganham força com apoio de Lula e Haddad.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a confirmar a indicação dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para direções do Banco Central, conforme informações de fontes próximas às negociações.
Mello, que atualmente ocupa a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, é cotado para assumir a Diretoria de Política Econômica do Banco Central. Já Cavalcanti, professor na Fundação Getulio Vargas e na Universidade de Cambridge, deve ficar responsável pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
Embora ainda não haja uma data definida para o anúncio oficial das nomeações, que precisam ser aprovadas pelo Senado, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, confirmou em entrevista que apresentou os nomes a Lula. A divulgação ocorreu após o vazamento do nome de Mello na mídia, o que gerou críticas no mercado financeiro. Haddad e Lula decidiram que os nomes seriam citados publicamente após essa conversa.
O ministro mencionou que havia indicado os nomes a Lula há três meses, mas desde então o assunto não foi retomado. Haddad deve deixar seu cargo no final de fevereiro, conforme já anunciado.
Mello, filiado ao PT e professor da Unicamp, participou do plano econômico de Lula nas eleições de 2022, sendo visto como um “independente” dentro do partido, e mais próximo de Haddad atualmente. Sua relação com Lula é considerada positiva, o que pode facilitar sua indicação.
A inclinação política de Mello e sua associação ao PT geraram preocupações no mercado financeiro, refletindo-se em um aumento nas taxas de juros de longo prazo. Além disso, ele enfrenta resistência dentro do Banco Central, com informações de que sua nomeação não foi previamente discutida com a instituição.
A Diretoria de Política Econômica, que Mello deve assumir, é crucial para a formulação e ajuste dos modelos macroeconômicos utilizados pelo Banco Central, além de fornecer dados técnicos que sustentam as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa de juros.
Fontes indicam que é desejável que os ocupantes dessa diretoria tenham experiência no mercado financeiro, como passagens por cargos de economistas-chefes em instituições, além de conhecimento acadêmico.
Contudo, uma terceira fonte defende Mello, descrevendo-o como “correto, competente e sério”, e ressaltando que ele sempre foi uma voz equilibrada no ministério, sem propostas de mudanças radicais na política econômica. O mercado reage a essas indicações, mas a fonte acredita que Lula não se deixará influenciar por flutuações no humor dos operadores financeiros.
