Gilmar critica Mendonça por erro grave em abordagem sobre delação de Vorcaro com advogados
Gilmar Mendes critica participação de relator em delação de banqueiro
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, manifestou descontentamento nesta segunda-feira em relação ao relator do caso Banco Master, André Mendonça, por ter se reunido com advogados de defesa de Daniel Vorcaro para discutir questões relacionadas à delação do banqueiro.
Gilmar Mendes classificou essa atitude como um “erro crasso” e um exemplo de excessos nas investigações do escândalo financeiro. Ele ressaltou que é inadequado que um julgador participe de negociações desse tipo.
Durante uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro afirmou que a lei proíbe a participação do relator ou do juiz na delação, que deve ser feita exclusivamente entre o Ministério Público e o delator. Ele enfatizou que isso representa um erro significativo no processo.
Recentemente, Mendes e Mendonça tiveram um embate em uma sessão da Segunda Turma do STF, onde o relator revelou ter rejeitado uma proposta de delação que considerou seletiva. Na mesma ocasião, o colegiado decidiu não conceder prisão domiciliar ao pai de Vorcaro, Henrique, conforme a solicitação de Gilmar.
O ministro também comentou que não tinha interesse em delações seletivas e que, embora tenha recebido uma proposta inicial de delação de Vorcaro, optou por não analisá-la.
Gilmar Mendes voltou a criticar a condução do acordo de delação, reiterando que a legislação não confere ao relator um papel decisivo nesse tipo de negociação.
O caso Vorcaro é marcado por várias controvérsias, incluindo a mudança de regimes prisionais e relatos sobre as condições de detenção. Mendes questionou a legitimidade dessas práticas, que, segundo ele, levantam sérias preocupações.
A defesa de Daniel Vorcaro tem tentado firmar um acordo de delação premiada, mas suas propostas foram rejeitadas pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal, que alegam a ausência de novos elementos na colaboração.
Gilmar também destacou questões delicadas relacionadas ao caso Master, como vazamentos de informações, prisões de familiares e a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário.
Sicário fazia parte do grupo denominado “A Turma”, que tinha como função monitorar e pressionar adversários do banqueiro. Ele foi encontrado morto na cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, após ser preso durante uma operação, com sua morte confirmada dois dias depois.
O ministro comparou o caso Master à operação Lava Jato, da qual ele é crítico, mencionando que, enquanto na Lava Jato começou como voto vencido, terminou como vencedor, referindo-se ao impacto que a operação teve no sistema judicial.
Gilmar Mendes descreveu a Lava Jato como “o maior escândalo judicial do mundo”.
Em outro contexto, o ex-presidente Bolsonaro será ouvido em um inquérito sobre uma arma de fogo registrada em seu nome, encontrada com um de seus seguranças. A oitiva está agendada para às 15h e ocorrerá na residência do ex-presidente, que se encontra em prisão domiciliar.
