MIT confirma que “Chernobyl Voador” da Rússia é mais perigoso do que um míssil nuclear

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Rússia retoma conceito polêmico de míssil nuclear com reator em movimento.

Em 1964, os Estados Unidos abandonaram o Projeto Plutão devido ao risco de contaminação radioativa e à falta de locais seguros para testes. Agora, a Rússia decidiu reviver essa ideia controversa, que até mesmo Washington considerou extrema.

O Burevestnik, um míssil nuclear apresentado por Putin em 2018, foi envolto em mistério e considerado uma lenda tecnológica. Cientistas do MIT recentemente analisaram o projeto e confirmaram os temores sobre sua periculosidade. O míssil não é apenas uma arma convencional, mas um sistema que gera contaminação radioativa ao longo de seu voo, o que levanta preocupações sobre sua segurança e eficácia.

O conceito de um míssil com reator nuclear não é inédito. Na década de 1950, tanto os EUA quanto a União Soviética experimentaram motores a jato em aeronaves estratégicas, mas nunca conseguiram operacionalizá-los. O Projeto Pluto, que visava criar um míssil supersônico com alcance quase ilimitado, foi abandonado por ser considerado excessivamente poluente e perigoso, evidenciando a compreensão das implicações de tal tecnologia.

A pesquisa do MIT revela que o Burevestnik utiliza um turbojato de ciclo direto, onde o ar entra, passa pelo reator, é aquecido pela fissão e é expelido para gerar impulso. Essa abordagem compacta permite que o reator caiba dentro de um míssil de apenas 9,5 metros, mas gera um problema significativo: o ar que entra limpo sai contaminado, transformando o míssil em uma chaminé nuclear durante seu voo.

O perigo do Burevestnik não se limita ao impacto; ele começa a liberar material radioativo antes de atingir seu alvo. Pesquisadores indicam que seu escapamento contém elementos perigosos, como argônio, criptônio e carbono radioativo, além de resíduos resultantes do desgaste do reator. Cada missão pode deixar um rastro de contaminação, alterando a forma como se entende uma arma estratégica.

Há anos, sinais de contaminação radioativa foram detectados no Ártico, relacionados a testes do Burevestnik. Incidentes como a explosão em 2019, que resultou na morte de cinco cientistas, levantaram questões sobre a segurança do manuseio de um reator nuclear miniaturizado. A hipótese de que o reator recuperado do fundo do mar poderia ter causado uma explosão ao ser reativado destaca os riscos associados a essa tecnologia.

O Burevestnik oferece uma vantagem estratégica com seu alcance praticamente ilimitado, permitindo que seja lançado de locais remotos e permaneça no ar por longos períodos. No entanto, suas limitações são evidentes: é subsônico e, paradoxalmente, fácil de rastrear devido à sua assinatura radioativa. Além disso, o reator se degrada durante a operação, o que pode comprometer sua eficácia.

Por fim, o Burevestnik pode ser mais um experimento do que uma arma efetiva. A Rússia parece estar utilizando o programa para validar tecnologias que poderão ser aplicadas em drones de vigilância ou plataformas espaciais. A conquista do primeiro voo sustentado de uma aeronave movida a energia nuclear é notável, mas o ressurgimento de uma tecnologia abandonada por seu perigo intrínseco levanta questões sobre o futuro das armas nucleares.

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