Jaques Wagner renuncia à liderança do governo no Senado após investigação da PF
Senador Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado em meio a escândalo.
O senador Jaques Wagner decidiu deixar o cargo de líder do governo no Senado, pressionado por uma operação da Polícia Federal que o investiga por suspeitas de recebimento de pagamentos ligados ao Banco Master.
Apesar de inicialmente resistir à ideia de se afastar, a saída foi concretizada após uma reunião de duas horas com o presidente Lula. O presidente preferia que Wagner tomasse a iniciativa de se afastar, ao invés de demiti-lo diretamente.
Com a proximidade das eleições, Lula busca evitar que sua candidatura seja afetada pelo escândalo envolvendo o Banco Master, cuja repercussão tem gerado preocupação entre os aliados do governo.
A defesa de Wagner apresentou um recurso contra a decisão do STF que autorizou a busca e apreensão em seus endereços. No recurso, a defesa nega as acusações e aponta erros graves na medida, buscando anular as provas obtidas.
O movimento de Wagner em deixar a liderança era esperado por seus aliados, sendo visto como uma tentativa de preservar a imagem do governo em meio a um escândalo que pegou muitos de surpresa.
Wagner ocupava o cargo desde o início do mandato atual de Lula, tendo sido nomeado durante o governo de transição em dezembro de 2022. Ele é um dos principais nomes do PT na Bahia e um dos aliados mais próximos do presidente.
A relação entre Lula e Wagner se estende por quase 50 anos, com o senador sendo um dos principais apoiadores de Lula durante sua prisão em 2018.
Interlocutores afirmam que Wagner já havia tentado deixar a liderança em outras ocasiões, após derrotas do governo no Congresso, mas Lula não permitiu. As tentativas ocorreram após a aprovação do PL da Dosimetria e a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF.
Agora, o governo teme que as investigações contra Wagner possam desviar a atenção das revelações sobre Flávio Bolsonaro, que também está envolvido em questões relacionadas ao Banco Master.
Lula já havia questionado Wagner sobre sua ligação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, recebendo garantias de que não havia envolvimento no caso.
Além disso, já havia uma preparação no Planalto para lidar com possíveis desdobramentos do escândalo, com Lula ensaiando respostas para eventuais impactos em seu governo.
A expectativa é que o presidente reitere seu apoio às operações realizadas durante seu governo e solicite explicações a Wagner sobre as acusações que o cercam.
