Projeto Natureza da CMPC chega a um momento crítico
Impasse no Projeto Natureza da CMPC pode impactar a economia do Rio Grande do Sul
O Projeto Natureza da CMPC, considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, enfrenta desafios jurídicos e ambientais que podem definir o futuro econômico do estado.
A nova planta de celulose em Barra do Ribeiro, com um investimento estimado em R$ 27 bilhões, promete uma capacidade de produção de até 3 milhões de toneladas anuais e a criação de 6 mil empregos diretos. Contudo, o projeto se tornou um símbolo da tensão entre desenvolvimento econômico e exigências regulatórias necessárias para a proteção ambiental.
O Ministério Público Federal questiona a adequação das consultas às comunidades indígenas que podem ser impactadas pelo empreendimento. Como resultado, recomenda a suspensão do licenciamento até que sejam realizados estudos mais aprofundados e diálogos com essas comunidades. A CMPC, por sua vez, considera essa recomendação inédita e inexequível, alegando que isso extrapola atribuições legais e gera insegurança jurídica, o que pode travar investimentos em todo o país.
O diretor-geral da empresa no Brasil, Antonio Lacerda, afirmou que todos os requisitos estabelecidos pela Fepam estão sendo cumpridos. Ele expressou confiança na emissão da licença prévia, prevista para o início de agosto.
Esse assunto foi amplamente discutido em uma reunião-almoço da Federasul, onde empresários e lideranças políticas se reuniram. O presidente da entidade, Rodrigo Sousa Costa, expressou sua preocupação de que o estado, que está em um processo de recuperação após desastres climáticos, continue refém de “beligerâncias ideológicas”, o que pode afastar investidores e comprometer oportunidades bilionárias. Para ele, a perda da nova fábrica da CMPC teria um impacto tão negativo quanto a saída da Ford, dificultando a atração de futuros empreendedores ao estado.
Fernando Marchet, vice-presidente de Economia da Federasul, enfatizou que empreendimentos dessa magnitude têm um efeito multiplicador significativo na economia. Ele citou exemplos como a General Motors em Gravataí e o polo metalmecânico de Caxias do Sul, ressaltando que “o investimento produtivo é motor de transformação capaz de reconfigurar permanentemente a dinâmica econômica de uma região”.
Além da fábrica, o projeto da CMPC inclui a construção de um novo terminal portuário em Rio Grande, com investimento de R$ 1,5 bilhão, já com concessão assinada, para facilitar o escoamento da produção. A empresa informou que já investiu cerca de US$ 400 milhões em estudos e preparativos e garantiu que não tem intenção de deixar o Rio Grande do Sul.
No momento, o impasse está sendo analisado pela Justiça Federal e pode ter um desfecho em uma audiência de conciliação. Se superado, o empreendimento deve iniciar suas operações no segundo semestre de 2029, consolidando o Rio Grande do Sul como um importante ator global na produção de celulose.