Polícia do RJ realiza operação para investigar banco privado reativado durante gestão Castro
Operação investiga reativação fraudulenta de banco extinto no Rio de Janeiro
A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou uma operação para investigar a reativação de um banco privado que foi extinto há mais de 60 anos. A ação, que ocorreu na manhã desta quarta-feira, visa apurar possíveis fraudes relacionadas a precatórios e terras valiosas.
As investigações indicam que, a partir de 2024, um grupo de indivíduos teria conseguido restabelecer o registro de um banco que encerrou suas atividades em 1964, após um processo de liquidação. Essa reativação ocorre apesar de decisões judiciais contrárias e pareceres técnicos que se opõem à volta da instituição.
O foco da operação, chamada “Operação Lázaro”, recai sobre os responsáveis pela tentativa de reativação do banco e membros da Junta Comercial do Rio de Janeiro, que facilitaram esse processo. Entre os alvos estão o vice-presidente da Junta e outros dirigentes, que enfrentaram buscas e apreensões.
Um dos envolvidos, o vice-presidente, declarou não temer a investigação, afirmando que a administração está em funcionamento há mais de cinco anos sem problemas. A Junta Comercial, por sua vez, não respondeu aos pedidos de comentário até o fechamento desta edição.
A empresa BCM Ativos Imobiliários, que está no centro das investigações, negou as acusações e expressou indignação, alegando que as alegações são infundadas. A companhia destacou que a situação atual é resultado de disputas econômicas na Barra da Tijuca e de ações de terceiros que estariam utilizando indevidamente o nome do antigo banco.
A reativação do banco foi inicialmente revelada em março de 2025, envolvendo figuras públicas, incluindo a esposa de um deputado estadual e um ator conhecido. O antigo Banco de Crédito Móvel era proprietário de uma área que hoje é alvo de intensa especulação imobiliária.
Um grupo buscou reativar os registros do banco sob a nova denominação, alegando direitos sobre terrenos que foram desapropriados na década de 1960, resultando em precatórios avaliados em mais de R$ 1 bilhão. Esses precatórios estão atualmente nomeados aos herdeiros de antigos sócios do banco.
A movimentação para reativar o banco começou em 2016, quando um dos herdeiros se aliou a advogados e empresários para contestar a extinção da instituição, alegando que ainda havia processos em andamento relacionados a terrenos.
Desde então, o grupo obteve registros e um CNPJ, mas a Justiça determinou o cancelamento desse registro em resposta a pedidos de outros herdeiros. Apesar da morte de um dos principais envolvidos em 2018, os esforços para reativar o banco continuaram, embora alguns membros tenham sido indiciados por falsidade ideológica.
A Junta Comercial arquivou diversas atas de assembleias que tentavam legitimar a reativação do banco, desconsiderando pareceres da Procuradoria do Estado que se opunham a essa movimentação. A última assembleia, realizada em maio de 2023, incluiu a criação de uma nova diretoria e a transferência do banco para Brasília.
Enquanto o CNPJ estava ativo, o grupo lançou um empreendimento imobiliário, mas a Secretaria Municipal de Ordem Pública posteriormente demoliu estruturas construídas sem autorização. A situação se complicou ainda mais com a revelação de conexões entre membros do grupo e figuras públicas, levantando questões sobre a legalidade das operações.
