Produtora de ‘Dark Horse’ contrata suspeito de ligação com PCC para projeto da Prefeitura de SP

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Investigação revela ligações suspeitas em contrato para instalação de wi-fi em favelas de São Paulo.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), liderado pela empresária Karina Gama, firmou um contrato controverso para a instalação de pontos de wi-fi em favelas de São Paulo. A empresa contratada para o serviço, Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., é ligada a Alex Leandro Bispo dos Santos, que possui histórico criminal associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Karina Gama, conhecida por sua produtora Go Up Entertainment e pelo filme “Dark Horse”, enfrenta questionamentos sobre um contrato de R$ 108 milhões com a gestão do prefeito Ricardo Nunes. As investigações policiais apuram se parte desse valor foi desviada para a produção do filme, uma alegação que a defesa de Gama nega, apresentando documentos para comprovar sua inocência.

A Favela Conectada foi subcontratada pelo ICB para implantar 2.000 pontos de wi-fi nas zonas oeste e sul de São Paulo, com um valor que pode chegar a R$ 12 milhões. Documentos obtidos revelam que R$ 2 milhões foram pagos em 7 de julho de 2025, o que levanta mais suspeitas sobre a origem e o uso dos recursos.

O histórico criminal de Santos inclui pelo menos três condenações por roubo, resultando em 34 anos de prisão. Sua defesa refuta qualquer associação com o PCC, enquanto o ICB alega desconhecer os vínculos da empresa contratada, mas enfatiza que estava regular e que não havia impedimentos legais para a contratação.

HISTÓRICO CRIMINAL E ATIVIDADES DA EMPRESA

A empresa de Santos foi criada em 2020, logo após sua saída da prisão, inicialmente com um capital de R$ 10 mil, que depois foi elevado para R$ 500 mil. Conhecido como Baianão, Santos tem um longo histórico de prisões, incluindo uma detenção sob suspeita de sequestro-relâmpago em 2003.

Entre 2012 e 2017, ele esteve preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde estavam outros líderes do PCC, incluindo Marcola. Após ser libertado em 2018, Santos foi novamente preso em 2025, sob a acusação de feminicídio, após a morte de sua namorada, Maria Katiane Gomes da Silva, que também é mencionada em um contrato entre o ICB e sua empresa.

No inquérito sobre o feminicídio, uma gravação de uma discussão entre Santos e a vítima sugere conexões com o PCC, onde ele faz referência a uma tatuagem. A análise das tatuagens de Santos, que incluem símbolos significativos, levanta questões sobre sua possível afiliação a facções criminosas, embora especialistas afirmem que o PCC não utiliza tais marcas para identificar seus membros.

RESPOSTA DAS AUTORIDADES E DO INSTITUTO

O advogado de Santos, Eugênio Malavasi, defende que seu cliente não cometeu feminicídio e colaborou com as investigações, apresentando uma assistente virtual que poderia conter evidências. Ele também afirmou que Santos nunca se declarou membro do PCC, negando qualquer ligação com o grupo.

O ICB, por sua vez, esclarece que a contratação da Favela Conectada foi feita com base em critérios técnicos e que, na época, a empresa apresentava documentação regular. O instituto destaca que não tinha conhecimento de qualquer vínculo com o crime organizado e que a relação jurídica com a Prefeitura de São Paulo se dá exclusivamente através do ICB.

A Prefeitura de São Paulo reafirma que não há vínculos diretos com a empresa de Santos e que quaisquer associações com o crime organizado são infundadas. Além disso, a gestão municipal tem adotado medidas rigorosas contra empresas com suspeitas de envolvimento com atividades criminosas.

Sobre o Programa WiFi Livre, a prefeitura informa que os pontos contratados estão em funcionamento e que não foram encontradas irregularidades nas investigações em curso. A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirma que há mecanismos de fiscalização em vigor para garantir a transparência e a eficácia do projeto.

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