Gartner prevê que neoclouds dominarão 20% do mercado de nuvem
Neoclouds emergem como protagonistas no mercado de IA, com previsão de 20% de participação até 2030.
Uma nova categoria de fornecedores de infraestrutura em nuvem, conhecida como neoclouds, está se destacando no mercado de inteligência artificial. Projeções indicam que esses fornecedores podem conquistar até 20% de um mercado avaliado em US$ 267 bilhões até 2030.
Os neoclouds são projetados especificamente para atender demandas de cargas de trabalho de IA e computação de alto desempenho. Eles se diferenciam dos hyperscalers tradicionais pela especialização em infraestrutura com GPUs, oferecendo modelos flexíveis de implantação e garantias contratuais que asseguram a soberania dos dados.
A ascensão dessas empresas é impulsionada pelo crescimento acelerado da IA generativa, que tem gerado uma demanda por capacidade computacional que os modelos tradicionais de nuvem não conseguem atender com a rapidez necessária. Especialistas afirmam que, apesar dos hyperscalers dos Estados Unidos estarem desenvolvendo suas próprias soluções soberanas, os neoclouds estão ganhando uma tração significativa no setor.
Essas empresas se destacam não apenas pelo desempenho em operações que exigem alta capacidade de GPU, mas também pela habilidade de garantir que dados e operações permaneçam dentro de jurisdições específicas. Isso é crucial para proteger informações contra acessos extraterritoriais e reivindicações legais de outros países.
A soberania de dados tornou-se um fator decisivo para muitas organizações, especialmente aquelas que operam sob regulamentações rigorosas, como o GDPR europeu. Essas empresas precisam se adaptar à nova Lei de IA da União Europeia, cujas principais exigências de transparência começarão a vigorar em agosto de 2026.
A combinação de pressões regulatórias e preocupações geopolíticas está levando as organizações a reavaliar suas arquiteturas de nuvem. Elas estão questionando se os modelos centralizados e globais dos hyperscalers atendem adequadamente às exigências de conformidade e resiliência local.
Com isso, os líderes de infraestrutura e operações são aconselhados a revisar suas estratégias de fornecimento de nuvem, buscando diversificar além da dependência dos três grandes provedores globais. A recomendação é incorporar neoclouds especializadas para acessar infraestrutura de IA de alto desempenho, especialmente em situações onde a capacidade de GPUs dos hyperscalers é insuficiente ou onde existem restrições regulatórias sobre a localização de dados.
Essa mudança também traz implicações financeiras e de gestão de risco. Arquiteturas mais localizadas e híbridas exigem controles técnicos robustos para garantir soberania, conformidade regulatória e resiliência operacional. Isso aumenta a complexidade do ambiente de TI e demanda uma análise cuidadosa dos trade-offs entre custo, desempenho e risco regulatório em diferentes jurisdições.
O mercado de nuvem para IA está entrando em uma nova fase, na qual a soberania, o desempenho e a especialização da infraestrutura se tornam fatores primários nas decisões empresariais. Para os CIOs e líderes de tecnologia que planejam investimentos em infraestrutura de IA nos próximos anos, a escolha do provedor de nuvem passou a ser uma decisão estratégica e regulatória, além de técnica e de custo.
