A 100 dias da eleição, 45 deputados buscam vaga no Senado
Movimento crescente de deputados se prepara para as eleições ao Senado em 2026.
A 100 dias das eleições, ao menos 45 deputados federais se posicionam como pré-candidatos ao Senado, evidenciando a prioridade que partidos e lideranças nacionais atribuem à disputa por duas vagas por Estado. Para esses parlamentares, essa corrida representa uma oportunidade de aumentar sua influência política, garantir um mandato de oito anos e evitar a concorrência mais acirrada pela Câmara dos Deputados.
Além dos 45 deputados focados no Senado, outros quatro se destacam como pré-candidatos a governos estaduais. A análise considera apenas aqueles que estão no exercício do mandato e que se autodeclaram ou são apontados como pré-candidatos.
O cenário político ainda está em evolução. As candidaturas serão formalizadas nas convenções partidárias, programadas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. Até esse período, os partidos têm a liberdade de revisar alianças, trocar nomes, acomodar disputas internas ou realocar pré-candidatos para diferentes chapas.
PL lidera a disputa ao Senado
O PL se destaca no movimento, com 14 deputados federais considerados cotados para as vagas no Senado. Em seguida, o PP e o PT aparecem com cinco deputados cada. O MDB e o PSD têm quatro cada, enquanto partidos como Novo, Rede, Republicanos e União Brasil contam com dois nomes cada um. Avante, PDT, Podemos, PSB e Solidariedade têm um representante cada.
Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado serão renovadas. Os eleitores poderão votar em dois candidatos de sua escolha, independentemente de pertencerem à mesma chapa.
Prioridade estratégica
A disputa pelo Senado é vista como uma prioridade tanto pelo governo quanto pela oposição. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro elaboraram estratégias para eleger o maior número possível de senadores, visando formar uma maioria entre os 81 membros da Casa. Isso permitiria um maior controle sobre a pauta legislativa, a presidência do Senado e o andamento de CPIs, além de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
Para avançar com um processo no Senado, a oposição precisaria reunir uma maioria. Em casos de condenação e perda de cargo, seriam necessários dois terços da Casa, ou seja, 54 votos. Essa dinâmica explica por que deputados considerados puxadores de voto em seus Estados estão se lançando como pré-candidatos ao Senado, em uma disputa que pode alterar a correlação de forças em Brasília a partir de 2027.
Risco calculado
A transição de uma Casa do Congresso para outra envolve riscos eleitorais. Dados de levantamentos realizados em eleições anteriores mostram que, em 2018, 21 dos 40 deputados federais que disputaram uma vaga no Senado foram eleitos, resultando em uma taxa de sucesso de 52,5%. Em 2022, essa taxa caiu para 29,2%, com apenas sete dos 24 deputados que concorreram ao Senado sendo bem-sucedidos.
A comparação com 2026 é mais semelhante a 2018, já que, assim como naquele ano, duas vagas por Estado estarão em disputa. Em 2022, apenas uma vaga estava disponível por unidade da Federação.
Governo estadual atrai quatro deputados
Além da corrida ao Senado, quatro deputados federais se apresentam como pré-candidatos a governos estaduais. São eles: Helder Salomão (PT) no Espírito Santo; Sandro Alex (PSD) no Paraná; Luciano Zucco (PL) no Rio Grande do Sul; e Vicentinho Junior (PSDB) no Tocantins.
Essa movimentação indica que parte da Câmara está buscando cargos majoritários em 2026. A transição para o Senado ou para governos estaduais pode reorganizar palanques, alterar alianças locais e impactar a composição das chapas para deputado federal.
Senado como prêmio político
A corrida ao Senado ganha relevância, pois 2026 contará com duas vagas em disputa por unidade da Federação. A renovação de 54 das 81 cadeiras pode modificar a dinâmica em temas cruciais, como indicações ao Supremo Tribunal Federal, CPIs, impeachment, PECs, anistia, segurança pública e pautas de costumes.
Para muitos deputados, a candidatura ao Senado é uma chance de obter maior visibilidade nacional e influência direta em decisões institucionais
