Tesouro Nacional aumenta emissão de títulos atrelados à Selic devido à volatilidade do mercado

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Concentração em títulos pós-fixados marca emissões do Tesouro Nacional em maio.

A volatilidade nos mercados e a preferência dos investidores por títulos atrelados à Selic levaram o Tesouro Nacional a concentrar suas emissões em papéis pós-fixados no mês de maio. Durante a apresentação do Relatório Mensal da Dívida Pública, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública destacou que o ambiente de mercado foi fortemente impactado por tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio.

Os títulos indexados à taxa básica representaram 62,5% das colocações do mês, contribuindo para um aumento no estoque da Dívida Pública Federal, que alcançou R$ 9,03 trilhões, um crescimento de R$ 234,4 bilhões, ou 2,66%, em comparação a abril.

O Tesouro informou que foram emitidos R$ 166,27 bilhões em títulos públicos, enquanto R$ 31,81 bilhões foram resgatados, resultando em uma emissão líquida de R$ 134,46 bilhões. Juntamente com a apropriação de cerca de R$ 100 bilhões em juros, isso elevou o estoque da dívida ao maior nível registrado na série histórica.

Nos últimos três meses, o conflito no Oriente Médio se tornou o principal fator de influência nos mercados. Em maio, embora tenha havido uma redução na aversão ao risco, a volatilidade se manteve alta ao longo do mês. Esse cenário foi refletido nas curvas de juros e nos leilões do Tesouro.

Em tempos de incerteza e volatilidade, os investidores tendem a buscar mais títulos atrelados à Selic, como a Letra Financeira do Tesouro (LFT), para minimizar riscos associados a títulos prefixados e indexados a índices de preços.

Como resultado, a participação dos papéis pós-fixados no estoque da dívida aumentou de 48,59% em abril para 48,99% em maio. Em contrapartida, a proporção de títulos corrigidos pela inflação caiu de 26,76% para 26,26%, enquanto a fatia dos prefixados subiu de 20,85% para 21%.

O percentual da dívida com vencimento em até 12 meses também cresceu, passando de 18,99% para 20,26%, reflexo da inclusão de títulos que vencem em maio de 2027. Apesar desse aumento, o prazo médio da dívida recuou de 4,12 anos para 4,07 anos, permanecendo dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Plano Anual de Financiamento.

O custo médio da dívida subiu, passando de 12,22% ao ano para 12,31% ao ano em 12 meses. O custo médio das novas emissões também avançou, de 14,08% para 14,19% ao ano.

Apesar da volatilidade, o Tesouro Nacional afirmou que sua posição de caixa é confortável. A reserva de liquidez atingiu R$ 1,21 trilhão em maio, o que é suficiente para cobrir mais de nove meses de vencimentos.

O índice de liquidez demonstra que o Tesouro possui capacidade para honrar compromissos de dívida por mais de nove meses, o que indica uma situação financeira estável.

No Tesouro Direto, as vendas totalizaram R$ 10,22 bilhões, enquanto os resgates foram de R$ 4,15 bilhões, resultando em uma emissão líquida recorde de R$ 6,07 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela demanda por títulos pós-fixados.

O título mais procurado em maio foi o Tesouro Selic, que representou quase 40% da demanda. O programa encerrou o mês com 3,59 milhões de investidores ativos, um aumento de quase 20% em relação ao mesmo período de 2025, com cerca de 80% das aplicações concentradas em aportes inferiores a R$ 5.000.

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