Brigadianos enfrentam júri popular por assassinato de recruta do Exército nesta segunda-feira
Júri popular inicia para brigadianos acusados de homicídio de recruta em São Gabriel.
Começa nesta segunda-feira (29) o júri popular de três integrantes da Brigada Militar (BM) envolvidos na morte de um recruta do Exército na cidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul.
Os réus estão detidos desde 23 de agosto de 2022, dez dias após o crime, enfrentando acusações de homicídio qualificado, motivado por futilidade e por métodos que dificultaram a defesa da vítima.
A acusação será representada no tribunal pelos promotores Eugênio Paes de Amorim, Karine Camargo Teixeira e Maria Fernanda Rabelo Ramalho. A defesa dos réus está nas mãos dos advogados Ivandro Bitencourt Feijó, Jean de Menezes Severo, Maurício Adami Custódio, Shaianne Lourenço de Gregori e Vânia Jussara Leitão Barreto. Ao todo, 20 testemunhas deverão ser ouvidas durante o julgamento.
Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, foi encontrado sem vida em um açude na localidade de Lava Pé, após ser levado pela polícia. Ele residia em Guaíba e estava em São Gabriel para cumprir seu serviço militar obrigatório.
O jovem foi abordado por policiais após uma reclamação ao serviço 190 sobre perturbação da ordem durante uma festa. Durante a abordagem, um dos soldados agrediu Gabriel com um cassetete, o levando depois em uma viatura para uma área rural. Desde então, ele não foi mais visto com vida.
A mãe de Gabriel informou que ele optou por servir na cidade devido a laços familiares e sua afinidade com a vida rural. Ele estava a apenas dois dias de se apresentar em um quartel quando ocorreu o incidente.
Gabriel, aparentando estar desorientado e embriagado, tentou entrar em uma casa nas proximidades de onde se hospedava. A dona da residência, alarmada, acionou a BM, que chegou ao local em poucos minutos. Testemunhas gravaram imagens que mostram a agressão e a condução do jovem algemado na viatura.
Uma semana após seu desaparecimento, no dia 19 de agosto, o corpo de Gabriel foi localizado no açude, levando à prisão preventiva dos três policiais. A Justiça Militar acatou, no mês seguinte, a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul contra eles, por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
O laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) determinou que a vítima já estava morta quando foi jogada na água, com a causa do óbito sendo identificada como hemorragia interna toráxica resultante de lesão cervical por um golpe contundente.
Alegações dos réus
Os policiais alegaram inicialmente no boletim de ocorrência que apenas revistaram e liberaram Gabriel. Contudo, a repercussão do desaparecimento, aliada à gravação em vídeo e ao rastreamento da viatura, forçou a Corregedoria da Brigada a investigar o caso.
Posteriormente, os réus apresentaram uma nova versão, afirmando ter levado o jovem até as proximidades do açude a pedido dele, local onde o corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição.
Os policiais continuam negando sua participação na morte de Gabriel, e suas defesas contestam as acusações de falsidade ideológica e ocultação de cadáver, argumentando que as informações no boletim de ocorrência foram corretas e que não houve intenção de esconder o corpo.
