Motorista de Porto Alegre é o primeiro gaúcho a receber tratamento com caneta emagrecedora do SUS
Iniciativa pioneira oferece caneta emagrecedora através do SUS no Rio Grande do Sul.
Um novo capítulo na luta contra a obesidade no Brasil foi inaugurado nesta sexta-feira, quando um motorista de 39 anos, residente em Porto Alegre, se tornou o primeiro gaúcho a receber a aplicação de uma caneta emagrecedora fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este procedimento é parte de um projeto-piloto promovido pelo governo federal em colaboração com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), envolvendo 250 pacientes.
A cerimônia de aplicação ocorreu no Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Conceição, com a presença do ministro da Saúde. O paciente, que recebeu a dose inicial de semaglutida, será monitorado por equipes de saúde ao longo de 24 meses para avaliar sua perda de peso. O projeto visa coletar dados clínicos e financeiros para considerar a possível incorporação do medicamento à rede pública de saúde, onde atualmente ele está disponível apenas em clínicas particulares.
O paciente expressou sua gratidão, ressaltando seu histórico de luta contra a obesidade desde a infância. A frustração em não conseguir realizar a cirurgia bariátrica, devido a temores sobre sua saúde, torna este projeto uma oportunidade significativa para ele. O tratamento no setor privado não é viável financeiramente, destacando a importância da iniciativa.
O ministro da Saúde, em sua declaração, enfatizou que o Brasil se posiciona como um dos pioneiros na utilização da caneta emagrecedora em um sistema público universal, algo raro em outros países. Os dados coletados durante o estudo serão cruciais para entender como o medicamento pode ser utilizado no tratamento de obesidade e diabetes, e para futuras inclusões no SUS, promovendo alternativas à cirurgia bariátrica.
Padilha também abordou a importância da produção local do medicamento, alertando contra a dependência de poucos fornecedores internacionais, como ocorreu com a insulina. Ele reforçou que a capacidade nacional de produção é essencial para garantir a sustentabilidade do sistema de saúde pública, que atende milhões de brasileiros.
O panorama da obesidade no Brasil foi alarmantemente destacado durante a apresentação do projeto. Estatísticas revelam que a prevalência de sobrepeso e obesidade no país mais que dobrou nos últimos anos. Dados apontam que a porcentagem de brasileiros afetados passou de 11,8% para 25,7% desde 2024, além de um aumento significativo nos tratamentos relacionados à obesidade no SUS, que subiram 57% entre 2022 e 2025.
O diretor-presidente do GHC também ressaltou que o Rio Grande do Sul é um dos estados com os maiores índices de sobrepeso e obesidade do país, sublinhando o desafio enfrentado pelo Sistema Único de Saúde para melhorar a qualidade de vida da população. O estudo em andamento representa uma esperança para a redução desses índices preocupantes.
Fernando Anschau, líder de Inovação no GHC e um dos pesquisadores do projeto-piloto, explicou que todos os pacientes participantes estão na fila do SUS para cirurgia bariátrica devido à obesidade grave. A maioria deles apresenta uma condição de obesidade mórbida, com Índice de Massa Corporal (IMC) elevado, e muitos não possuem condições clínicas para a cirurgia. A hipertensão arterial é a comorbidade mais prevalente entre os participantes.
Anschau descreveu o projeto como uma “ponte para a cirurgia bariátrica”, visando melhorar a saúde dos pacientes para que possam se submeter ao procedimento cirúrgico com segurança. O financiamento do projeto é garantido por recursos da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, oriundos do fabricante do medicamento.
